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Operação da PF avança para “cortar cabeça de organização criminosa” na Bahia

Após início em Minas, investigação sobre financiamento ilegal de campanhas atinge governador baiano

PF anuncia operação nas redes sociais.

"Tal qual a monstruosa figura da mitologia helênica, que ao ter a cabeça cortada ressurge com duas cabeças, a Operação Acrônimo, ao chegar a um dos líderes de uma Organização Criminosa, se deparou com uma investigação que se desdobra e exige a abertura de dois novos inquéritos". É assim que a Polícia Federal explica o nome da Operação Hidra de Lerna, que investiga financiamento ilegal de campanhas políticas na Bahia e esquemas de fraude em licitações e contratos no Ministério das Cidades. Os policiais foram às ruas de Bahia, Distrito Federal e Rio de Janeiro cumprir 16 mandados e busca e apreensão nesta terça-feira. A operação atinge o governador da Bahia, Rui Costa (PT), e dois ex-ministros.

A primeira "cabeça" da organização criminosa que a PF diz investigar foi encontrada em Minas Gerais, onde o governador Fernando Pimentel (PT) foi indiciado em setembro. Pimentel e o empreiteiro Marcelo Odebrecht, que também foi indiciado na Acrônimo e cumpre pena de prisão por conta da Operação Lava Jato, são suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro. O governador petista teria recebido propina quando era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, durante o Governo Dilma Rousseff, para facilitar a liberação de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a projetos da Odebrecht no exterior.

A operação desta terça-feira é consequência de três colaborações de investigados pela Operação Acrônimo. A polícia apurou que os suspeitos realizavam "triangulações" financeiras com o objetivo de financiar ilegalmente campanhas eleitorais. "Para isso, a empreiteira sob investigação [os investigadores cumpriram mandado na OAS] contratava de maneira fictícia empresas do ramo de comunicação especializadas na realização de campanhas políticas", explica a PF em nota. Segundo a polícia, a empreiteira "remunerava serviços prestados a partidos políticos e não à empresa do ramo de construção civil".

Além da sede da OAS na Bahia, a polícia também esteve no diretório do PT baiano e na agência de publicidade Propeg, segundo o site G1. Outro alvo de mandado de busca e apreensão foi o prédio onde mora o ex-ministro das Cidades de Dilma Rousseff, Mário Negromonte (PP), que atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia. A Propeg tinha uma contrato de 45 milhões de reais com o Ministério das Cidades. Márcio Fortes, ministro das Cidades durante o Governo Lula, é suspeito de receber propina para beneficiar a Propeg no contrato.

Em nota, a Propeg confirmou que a PF realizou buscas em seus escritórios em Salvador e Brasília e nas residências de executivos da empresa. "Na ocasião, prestou-se todo o apoio à ação", informa a agência de publicidade. Além de afirmar que tem auxiliado "por iniciativa própria" desde junho as autoridades, a Propeg diz que "no que tange à agência, os fatos em apuração não possuem qualquer conexão com o Partido dos Trabalhadores, o Governador do Estado da Bahia e com a empresa OAS".

O presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, disse à Folha de S.Paulo que o partido não tem nenhuma ligação com a Propeg e que a Polícia Federal agiu com sensacionalismo: "Interditaram a rua inteira, arrombaram a sede [do partido] e depredaram nosso patrimônio". Já Mário Negromonte, que diz ter tido dois aparelhos celulares antigos apreendidos, nega ter cometido qualquer tipo de irregularidade. Negromonte foi ministro de Dilma Rousseff por pouco mais de um ano. Empossado em 2010, ele pediu demissão em fevereiro de 2012 sob suspeita de comprar apoio de colegas de seu partido, o PP.

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