Equipe de ‘Aquarius’, de Kleber Mendonça Filho, protesta em Cannes

Aquarius leva a crise política brasileira ao tapete vermelho do Festival de Cannes

São Paulo / Cannes
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Aquarius:  Protestos de brasileiros em Cannes EFE

Kleber Mendonça Filho, o cineasta brasileiro que representa o Brasil no Festival de Cinema de Cannes, apresentou nesta terça-feira Aquarius, seu segundo longa-metragem – e o filme que pode resultar na segunda Palma de Ouro entregue ao Brasil. Na sessão de gala, sob os olhares da imprensa internacional e de profissionais de cinema do mundo inteiro, o cineasta pernambucano aproveitou para denunciar que “um golpe de Estado aconteceu no Brasil” – segundo um dos cartazes que cada integrante do elenco segurou nas mãos, entre eles a atriz Sonia Braga, que protagoniza o filme.

Nos cartazes, diversas mensagens retiradas de dentro dos paletós escritas em francês e inglês que diziam: “Resistiremos”, “O Brasil já não é uma democracia”, “Machistas, racistas e caloteiros como ministros” e “O mundo não pode aceitar esse Governo ilegítimo”. Um dos membros da equipe – confundido por alguns com o ator Jack Nicholson – também exibia, sob o smoking, uma camiseta vermelha com o lema “Super Dilma”. Dentro da sala, a maioria dos espectadores acompanhou o protesto com grandes aplausos, que ao final da projeção se transferiram com muito mais força ao filme, aplaudido ininterruptamente por mais de dez minutos.

Kleber tem se manifestado publicamente, em entrevistas e redes sociais, contra o impeachment de Dilma Rousseff. Seu manifesto, registrado em pleno tapete vermelho de Cannes, já gerou forte repercussão no festival e na mídia internacional. Está, por exemplo, na capa do jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira. Elogiado pela crítica, Aquarius retrata uma jornalista e escritora que vê sua vida – e o antigo prédio onde mora, na orla do Recife – abalada pelo progresso desordenado. Lá estão, como no longa anterior, a ganância imobiliária, a má arquitetura e outras questões que retratam as grandes cidades brasileiras.

Em uma entrevista concedida ao The New York Times, o diretor do filme falou dias atrás sobre o impeachment de Dilma. “O que está acontecendo é um golpe de Estado, mas um muito moderno e cínico”, disse Mendonça Filho, nascido em Recife em 1968 e que foi crítico de cinema por décadas, antes de estrear no cinema com O Som ao Redor em 2012.

Pouco depois, Dilma Rousseff agradeceu o apoio manifestado pela equipe em uma mensagem em sua conta no Twitter: “Obrigado, Kleber Mendonça Filho, Sônia Braga e Maeve Jinkings – o talento do Brasil em Cannes. Ao elenco extraordinário do filme Aquarius, um beijo em nome da democracia”.

 

 

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