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O ingresso de cinema chega a custar 8% do salário mínimo em São Paulo

Vários profissionais do setor culpam a 'meia entrada' pelos altos preços praticados no país

As aposentadas Lucia de Castro e Leticia Selme, frequentadoras do cinema Reserva Cultural, em São Paulo.
As aposentadas Lucia de Castro e Leticia Selme, frequentadoras do cinema Reserva Cultural, em São Paulo. Folhapress

Algo que sem dúvida alguma cresceu junto com a evolução do cinema brasileiro nas últimas duas décadas é o custo de ir ao cinema no Brasil. É comum pagar, nos dias de hoje, preços cheios ao redor de 30, 40 reais – isso sem contar transporte, estacionamento e pipoca.

Só nos últimos oito anos, o valor médio do ingresso (aquele calculado de acordo com o que é cobrado na prática por todas as salas, incluindo possíveis descontos) passou de 5,83 a 11,73 reais – um aumento de pouco mais de 100% – segundo os dados fornecidos pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual.

Segundo uma pesquisa de 2011 do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (a última divulgada pela instituição), São Paulo, uma das cidades mais custosas do país, tem um dos ingressos mais caros do mundo, superando os valores cobrados em Nova York, Tóquio e Paris. Atualmente, as entradas das salas paulistanas mais “exclusivas” chegam a custar 58 reais, que corresponde a 8% do salário mínimo.

Além de sinalizar que o custo de vida no Brasil está hoje entre os mais altos, os vários profissionais do setor culpam a meia-entrada – criada originalmente para estudantes e idosos – por esse susto ao consumidor. Cerca de 70% das entradas vendidas no país são “meias”, que por sinal deixaram de ser um benefício social para se tornar uma ferramenta de marketing que muitas salas de cinema usam para atrair o público.

Os descontos de 50% foram estendidos a clientes de bancos, empresas de telefonia e outros, e, aparentemente, quem não se unir à tendência vai esvaziar suas salas. “Se não tivesse meia, os preços cairiam de 35 a 40%”, afirma Jean Thomas Bernardini, do Reserva Cultural. Marcelo França, do Grupo Estação, não pensa diferente: “Os vários tipos de meia entrada impedem a competição natural entre as salas. Quem tem mais publicidade, portanto, é quem leva”.

Por outro lado, há certo consenso de que os preços praticados são os possíveis considerando os investimentos técnicos e os tecnológicos, o maior poder aquisitivo dos brasileiros e altos impostos cobrados pelo governo. França diz que “é uma questão física. As salas são menores hoje, têm em média de 40 a 200 lugares. É como ocupar o voo comercial de um avião. Se fica vazio, é complicado baratear. A saída seria desonerar os impostos”.

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