A disputada frota do mar Negro

Moscou possui na Crimeia uma base naval, depois do fim da URSS

A instalação tem sido uma das principais dores de cabeça para o Kremlin

Navios de guerra russos da frota do mar Negro em 2003. / S. S. (EFE)

A frota russa do mar Negro tem sua base principal na península da Crimeia, mais concretamente no porto de Sebastopol. O fato de essa base ficar em território estrangeiro como consequência da desintegração da União Soviética tem sido uma das principais dores de cabeça do Kremlin e dos militares russos nos últimos anos, além de um constante foco de tensão com a Ucrânia.

A Crimeia, após pertencer ao Império Otomano, passou às mãos do Império Russo no século XVII, e depois do triunfo da revolução bolchevique continuou sendo russa até 1954, ano em que Nikita Kruschev a incorporou na República Socialista Soviética da Ucrânia.

Como consequência da queda do comunismo, a frota soviética do mar Negro foi dividida entre a Rússia e a Ucrânia, e o Kremlin se deparou com a surpresa de que sua parte ficava maioritariamente —atualmente, cerca de 70%— em território estrangeiro.

Em 1997 Moscou e Kiev assinaram um acordo pelo qual essa frota manteria sua base em Sebastopol até 2017. Por esse pacto, a Rússia conservava o direito de contar com 388 embarcações de sua marinha como limite máximo em águas ucranianas, entre elas, 14 submarinos convencionais.

EL PAÍS

Em 2010, o aluguel da base à Rússia foi prorrogado até 2042 (com possibilidade de estendê-lo por outros cinco anos, isto é, até 2047) segundo um documento firmado na ocasião pelos então presidentes Viktor Yanukovich e Dmitri Medvedev.

A frota do mar Negro, que foi criada em 1783, tem suas origens precisamente na anexação da Crimeia por parte do Império Russo. O momento de maior tensão entre Kiev e Moscou ocorreu quando chegou à presidência da Ucrânia o pró-Ocidente Viktor Yushchenko, que declarou que era necessário revisar o acordo com a Rússia sobre a base naval.

O Ministério de Assuntos Exteriores de Kiev afirmou então que não se prorrogaria o aluguel das instalações de Sebastopol a Moscou após 2017. Em maio de 2008, Yushchenko chegou inclusive a proibir que os russos realizassem uma parada militar em Sebastopol por ocasião do 225º aniversário da frota do mar Negro.

Nesse mesmo mês, Kiev advertiu que os navios russos deviam abandonar seu tradicional porto. O Kremlin tratou de desenvolver uma alternativa no porto de Novorossiysk, em território russo, para alocar ali no futuro sua principal base naval, caso a Rússia se veja obrigada a abandonar a Crimeia.

A marinha russa tem uma série de limitações na península ucraniana. Assim, não só não pode aumentar o número das embarcações ali situadas, como também deve obter uma permissão especial das autoridades de Ucrânia caso queira ou precise substituir algum de seus navios.

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