O perigo dos carregadores USB em espaços públicos

Hackers podem usar as conexões para roubar dados pessoais do usuário e instalar programas maliciosos no celular

Um usuário recarrega seu móvel em um aeroporto.
Um usuário recarrega seu móvel em um aeroporto.

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Chegar ao quarto do hotel após uma longa viagem e começar a procurar as tomadas para carregar os diversos aparelhos é algo que já se tornou rotina para a grande maioria. Nesse sentido, encontrar (sobretudo no exterior) um carregador USB na parede pode ser como descobrir um oásis no deserto. Conectores desse tipo evitam a dor de cabeça de lidar com as diferentes tomadas de cada país, mas os especialistas voltam a advertir sobre o seu perigo: eles podem ser uma porta de acesso para os hackers. E a ameaça é real.

Embora seja um perigo já conhecido e abordado pelos especialistas, o Ministério Público de Los Angeles (Estados Unidos) lançou um alerta público pedindo aos cidadãos que evitem a todo custo usar os conectores USB de hotéis e aeroportos, devido à séria possibilidade de serem vítimas do ciberataque conhecido como juice jacking. Através dessa técnica, os hackers podem roubar diretamente do celular os dados pessoais do usuário. E inclusive instalar programas maliciosos que poderiam registrar conversas e todas as atividades realizadas no dispositivo.

“Impacto elevado”

Estamos diante de um alerta exagerado ou a ameaça é real? Fernando Suárez, presidente do Conselho Geral de Ordens Oficiais de Engenharia Informática da Espanha, confirma que “o impacto desse risco é muito elevado. Segundo ele, “a ameaça e a consequente recomendação são similares às do uso de WiFi públicos: não utilizá-los, já que não sabemos quem são os outros usuários e com que finalidade usam esse meio compartilhado”.

A empresa Kaspersky Lab confirma a existência da ameaça, mas não considera que esteja disseminada. Daniel Creus, analista de segurança da companhia, diz que, embora “[o problema] não seja generalizado, é importante levá-lo em conta porque pode ser considerado um vetor de infecção e, portanto, uma ameaça”.

Como se proteger

A possibilidade de ficar sem bateria é um dos maiores temores de qualquer pessoa, mas o risco de carregar o aparelho é alto. Como evitá-lo?

• Não utilize as portas USB. Pode parecer óbvio, mas é a primeira recomendação de todos os especialistas: não usar esses conectores públicos, apesar da sua conveniência e por mais que você precise de bateria;

• Leve o carregador. As versões modernas ocupam pouco espaço e evitam que você precise recorrer a portas USB em espaços públicos;

• Use baterias portáteis. As conhecidas como powerbanks são um salva-vidas para muito viajantes e sempre serão mais recomendáveis que um USB público;

• Apague o celular durante a recarga. Se realmente não houver outra opção a não ser carregá-lo usando portas USB, a McAfee recomenda desligar o aparelho para minimizar riscos e evitar que haja tráfego de dados durante o processo.