Reconhecer os progressos para seguirmos caminhando juntas e juntos

É preciso tratar todos com equidade para que nossa sociedade seja mais justa, menos desigual e, porque não, mais segura

Garota observa rapaz é interrogado por soldados do Exército na Vila Kennedy, no Rio.
Garota observa rapaz é interrogado por soldados do Exército na Vila Kennedy, no Rio.

Chegamos ao Dia Internacional das Mulheres de 2018 confrontadas com o desafio do desequilíbrio de gênero que persiste há séculos. Continuamos votando menos em candidatas que em candidatos em eleições, pagando a elas salários menores e matando mulheres simplesmente pelo fato de serem mulheres. Então, afinal, o que há para celebrar neste 8 de março?

Celebramos nossa luta pelo fortalecimento de nosso protagonismo. Celebramos as secundaristas no movimento estudantil, as dezenas de milhares de nós que romperam o silêncio e falaram sobre assédio, as manifestações que lideramos demandando ampliação de direitos. Celebramos o fato de nos tornarmos maioria entre os brasileiros com ensino superior, de sermos referências em tantas áreas e de sermos exemplos de lideranças inovadoras e inspiradoras.

Há menos de um mês, o Supremo Tribunal Federal, casa hoje liderada por uma mulher, decidiu que mulheres grávidas e mães de crianças de até 12 anos que estivessem em prisão provisória poderiam cumprir suas penas em prisão domiciliar. Entendeu-se que mantê-las em presídios atinge todo o seu núcleo familiar, causando mais prejuízos sociais que evitando danos. Ao investir no fortalecimento de vínculos entre famílias, a decisão representa uma importante estratégia para prevenir o ciclo da violência, fortemente associado a vulnerabilidades que começam a se definir na primeira infância.

Não há dúvidas que temos um longo caminho a ser percorrido. Com exceção dos homicídios, todos os outros tipos de violência – desde a patrimonial à física – têm mulheres como principais vítimas. Tal violência se fundamenta na desigualdade de gênero, ou seja, no aparente status inferior que mulheres têm em nossa sociedade, e incide de forma ainda mais aguda em mulheres negras, como as demais assimetrias sociais.

Diante da desigualdade entre homens e mulheres que persiste em várias esferas, porém, seguiremos unindo nossas forças e vozes defendendo e ampliando a compreensão de que é preciso tratar todos com equidade, respeitando suas diferenças e o desenvolvimento de nossas potências. E que fazê-lo traz benefícios para todos nós, independentemente de nosso gênero, contribuindo para que nossa sociedade seja mais justa, menos desigual e, porque não, mais segura. Cada avanço nessa direção será comemorado. Reconhecer os nossos progressos é essencial para que nos mantenhamos fortes e para que possamos seguir caminhando, juntas e juntos.

Ana Paula Pellegrino, Dandara Tinoco, Michele dos Ramos e Renata Giannini são pesquisadoras do Instituto Igarapé.

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