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Uma criança soldado em uma ação em Yambio (Sudão do Sul).
Uma criança soldado em uma ação em Yambio (Sudão do Sul). AFP
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As crianças, combatentes involuntários

Em 12 de fevereiro celebra-se o Dia Internacional contra o Uso de Crianças Soldado. Atualmente, há cerca de 300.000 menores vítimas de recrutamento e que participam de mais de 30 conflitos em todo o mundo

  • Atualmente, há cerca de 300.000 meninos e meninas soldados que participam em mais de 30 conflitos em todo o mundo, segundo dados do Unicef. São crianças que se veem obrigadas a viver a guerra para valer, se convertendo em combatentes involuntários. A cada 12 de fevereiro comemora-se no Dia Internacional contra o Uso de Crianças Soldado. Na imagem, um deles recém libertado das garras da violência, no Sudão do Sul, no último 7 de fevereiro.
    1Atualmente, há cerca de 300.000 meninos e meninas soldados que participam em mais de 30 conflitos em todo o mundo, segundo dados do Unicef. São crianças que se veem obrigadas a viver a guerra para valer, se convertendo em combatentes involuntários. A cada 12 de fevereiro comemora-se no Dia Internacional contra o Uso de Crianças Soldado. Na imagem, um deles recém libertado das garras da violência, no Sudão do Sul, no último 7 de fevereiro. AFP
  • Uma criança soldado recém tirada da batalha posa com seu rifle durante a cerimônia de libertação em Yambio, Sudão do Sul, em 7 de fevereiro.
    2Uma criança soldado recém tirada da batalha posa com seu rifle durante a cerimônia de libertação em Yambio, Sudão do Sul, em 7 de fevereiro. AFP
  • Mais de 300 crianças soldados, incluídas 87 meninas, foram libertados nesta região (Yambio), devastada pela guerra do Sudão do Sul.
    3Mais de 300 crianças soldados, incluídas 87 meninas, foram libertados nesta região (Yambio), devastada pela guerra do Sudão do Sul. AFP
  • Um programa da ONU trata de lhes ajudar a reintegrar a sociedade após ter participado da luta armada.
    4Um programa da ONU trata de lhes ajudar a reintegrar a sociedade após ter participado da luta armada. AFP
  • O programa de integração em Yambio, que se encontra no sul do país, tem como objetivo ajudar 700 crianças soldado a regressar à vida normal.
    5O programa de integração em Yambio, que se encontra no sul do país, tem como objetivo ajudar 700 crianças soldado a regressar à vida normal. AFP
  • Pouco depois de conseguir sua independência em 2011, o Sudão do Sul sumiu dentro de uma guerra civil. Nesse conflito são recrutadas sistematicamente crianças como soldados. "Durante o tempo em que estas crianças estão vinculadas às forças e grupos armados, são testemunhas e vítimas de terríveis atos de violência e, inclusive, são obrigados a exercê-la. Os traumas emocionais que isso lhes pode provocar são difíceis de superar", adverte o Unicef.
    6Pouco depois de conseguir sua independência em 2011, o Sudão do Sul sumiu dentro de uma guerra civil. Nesse conflito são recrutadas sistematicamente crianças como soldados. "Durante o tempo em que estas crianças estão vinculadas às forças e grupos armados, são testemunhas e vítimas de terríveis atos de violência e, inclusive, são obrigados a exercê-la. Os traumas emocionais que isso lhes pode provocar são difíceis de superar", adverte o Unicef. AFP
  • Algumas crianças são sequestradas; a outros, a pobreza, os maus tratos, a pressão da sociedade ou o desejo de vingar a violência contra eles ou suas famílias lhes levam a se unir a grupos armados e a empunhar uma arma.
    7Algumas crianças são sequestradas; a outros, a pobreza, os maus tratos, a pressão da sociedade ou o desejo de vingar a violência contra eles ou suas famílias lhes levam a se unir a grupos armados e a empunhar uma arma. AFP
  • As crianças, diz o Unicef, são vítimas inocentes das atrocidades da guerra. Para eles, o regresso a sua vida e a recuperação da infância é tão difícil que pode parecer quase impossível.
    8As crianças, diz o Unicef, são vítimas inocentes das atrocidades da guerra. Para eles, o regresso a sua vida e a recuperação da infância é tão difícil que pode parecer quase impossível. AFP
  • Além das sequelas psicológicas e emocionais, as crianças também padecem de consequências físicas que podem ser causadas pela batalha ou ser fruto das torturas e abusos por parte dos chefes. Muitas crianças são mutilados, sofrem desnutrição e até doenças de transmissão sexual. No caso das meninas, muitas ficam grávidas por abusos sexuais.
    9Além das sequelas psicológicas e emocionais, as crianças também padecem de consequências físicas que podem ser causadas pela batalha ou ser fruto das torturas e abusos por parte dos chefes. Muitas crianças são mutilados, sofrem desnutrição e até doenças de transmissão sexual. No caso das meninas, muitas ficam grávidas por abusos sexuais. AFP
  • Os especialistas advertem sobre a dificuldade dos pequenos para sair da espiral de violência que viveram. Em primeiro lugar, porque passam no grupo ou na força armada os anos em que desenvolvem sua personalidade e aprendem a conviver em um meio hierárquico e de violência. Além disso, não puderam ir à escola e isso faz que suas oportunidades de um futuro melhor se reduzam enormemente.
    10Os especialistas advertem sobre a dificuldade dos pequenos para sair da espiral de violência que viveram. Em primeiro lugar, porque passam no grupo ou na força armada os anos em que desenvolvem sua personalidade e aprendem a conviver em um meio hierárquico e de violência. Além disso, não puderam ir à escola e isso faz que suas oportunidades de um futuro melhor se reduzam enormemente. AFP
  • A representante Especial da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Virgínia Gamba, celebra a libertação a mais de 300 crianças, incluídas 87 meninas, no Sudão do Sul. "Estas crianças agora têm a oportunidade de reconstruir suas vidas. Não podemos os abandonar e peço à comunidade internacional que apoie sua reinserção, proporcionando os recursos adequados", diz.
    11A representante Especial da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Virgínia Gamba, celebra a libertação a mais de 300 crianças, incluídas 87 meninas, no Sudão do Sul. "Estas crianças agora têm a oportunidade de reconstruir suas vidas. Não podemos os abandonar e peço à comunidade internacional que apoie sua reinserção, proporcionando os recursos adequados", diz. AFP
  • Sessenta por cento dos membros de milícias na República Democrática do Congo (RDC) são menores de idade e a maior parte deles são menores de 15 anos, segundo dados da ONG World Vision. Tshibola foi um deles. Em um dia acordou com o som das armas enquanto a milícia, todos com seus lenços vermelhos, rodeavam a casa. Entraram e encontraram seu esconderijo. Sua família não estava em nenhuma parte. fugiu na noite, deixando Tshibola para trás. A milícia vasculhou a casa em busca de qualquer arma que pudesse ter ficado, mas não encontrou nada. Amarraram Tshibola e estavam prontos para matá-la. Mas ofereceram-lhe a opção de unir-se a eles se quisesse seguir com vida. Sequestrada, longe de seu lar e sem outra opção, aceitou. "Passamos dois dias de cerimônias de iniciação", explica Tshibola. "Deram-me álcool e, no segundo dia, disseram que íamos à batalha. Os militares começaram a disparar quando chegamos, e me joguei ao chão (Tshibola recebia vários disparos nas pernas). O filho do comandante militar também foi forçado a entrar na milícia, mas foi assassinado". Os militares trataram de curá-la e depois de a levarem ao acampamento militar em Kananga, em Kasai Central, para receber tratamento. Ficar ferida foi sua salvação porque Tshibola acabou chegando a um centro gerenciado pelo World Vision para ex -crianças soldado, mancando com muletas, mas viva. Atualmente, segue no centro, esperando notícias de sua família.
    12Sessenta por cento dos membros de milícias na República Democrática do Congo (RDC) são menores de idade e a maior parte deles são menores de 15 anos, segundo dados da ONG World Vision. Tshibola foi um deles. Em um dia acordou com o som das armas enquanto a milícia, todos com seus lenços vermelhos, rodeavam a casa. Entraram e encontraram seu esconderijo. Sua família não estava em nenhuma parte. fugiu na noite, deixando Tshibola para trás. A milícia vasculhou a casa em busca de qualquer arma que pudesse ter ficado, mas não encontrou nada. Amarraram Tshibola e estavam prontos para matá-la. Mas ofereceram-lhe a opção de unir-se a eles se quisesse seguir com vida. Sequestrada, longe de seu lar e sem outra opção, aceitou. "Passamos dois dias de cerimônias de iniciação", explica Tshibola. "Deram-me álcool e, no segundo dia, disseram que íamos à batalha. Os militares começaram a disparar quando chegamos, e me joguei ao chão (Tshibola recebia vários disparos nas pernas). O filho do comandante militar também foi forçado a entrar na milícia, mas foi assassinado". Os militares trataram de curá-la e depois de a levarem ao acampamento militar em Kananga, em Kasai Central, para receber tratamento. Ficar ferida foi sua salvação porque Tshibola acabou chegando a um centro gerenciado pelo World Vision para ex -crianças soldado, mancando com muletas, mas viva. Atualmente, segue no centro, esperando notícias de sua família.
  • "Meu nome é Matthieu. Tenho 13 anos e estava na quinta série antes da crise. Tenho uma irmã de cinco anos e um irmãozinho de sete. Tinha dois irmãos maiores, mas morreram no conflito, assim como meu pai e muitos de meus amigos. Após fugir de Tshikapa (República Democrática do Congo), finalmente chegamos a uma aldeia em Kasai Central. Mas a situação não foi muito melhor. Num dia, meu melhor amigo chegou a nossa casa e me disse que me unisse à milícia, essa era a melhor opção para crianças como nós. Neguei-me a o acompanhar. Mas todos seguimos na mesma aldeia e a situação é muito ruim. Algumas crianças que estavam nas milícias vêm para jogar, mas nunca ficam por muito tempo, porque os homens armados seguem buscando eles, para lhes matar. O garoto que costumava ser meu melhor amigo está entre eles. De vez em quando o vejo e a cada vez está mais magro, ficou louco por causa das drogas que lhe fazem consumir. Gostaria de fazer com que vomite tudo o que tomou, mas não posso porque os membros da milícia não gostam de me ver, porque me neguei a me unir a eles. Minha vida corre perigo nesta comunidade”.
    13"Meu nome é Matthieu. Tenho 13 anos e estava na quinta série antes da crise. Tenho uma irmã de cinco anos e um irmãozinho de sete. Tinha dois irmãos maiores, mas morreram no conflito, assim como meu pai e muitos de meus amigos. Após fugir de Tshikapa (República Democrática do Congo), finalmente chegamos a uma aldeia em Kasai Central. Mas a situação não foi muito melhor. Num dia, meu melhor amigo chegou a nossa casa e me disse que me unisse à milícia, essa era a melhor opção para crianças como nós. Neguei-me a o acompanhar. Mas todos seguimos na mesma aldeia e a situação é muito ruim. Algumas crianças que estavam nas milícias vêm para jogar, mas nunca ficam por muito tempo, porque os homens armados seguem buscando eles, para lhes matar. O garoto que costumava ser meu melhor amigo está entre eles. De vez em quando o vejo e a cada vez está mais magro, ficou louco por causa das drogas que lhe fazem consumir. Gostaria de fazer com que vomite tudo o que tomou, mas não posso porque os membros da milícia não gostam de me ver, porque me neguei a me unir a eles. Minha vida corre perigo nesta comunidade”.
  • Kapinga e outras crianças nas milícias da República Democrática do Congo recebem paus como armas. Na batalha, seu trabalho era recolher as munições gastas no chão para entregá-las aos soldados. "Quando nossas saias estavam cheias, atirávamos as munições aos soldados e elas caíam", explica Kapinga. As milícias lhes dão armas de madeira para que o inimigo pense que vão armados, mas nada mais longe da realidade. Estão totalmente desprotegidos. Kapinga e os demais também recebem faixas vermelhas para atar ao redor da cintura. Dizem-lhes que quando estiverem cansados na batalha, tudo o que têm que fazer é tirar a faixa "para desaparecer e ir para qualquer lado". Há muitas histórias similares em que as crianças pensam que podem se teletransportar e estar a salvo. A última batalha a que Kapinga foi quase acaba com sua vida; recebeu um disparo no pescoço e se salvou milagrosamente. Nesse momento, tomou a decisão de abandonar a milícia de uma vez por todas. Suas esperanças para o futuro são simples: "Gostaria de voltar para casa com meu pai."
    14Kapinga e outras crianças nas milícias da República Democrática do Congo recebem paus como armas. Na batalha, seu trabalho era recolher as munições gastas no chão para entregá-las aos soldados. "Quando nossas saias estavam cheias, atirávamos as munições aos soldados e elas caíam", explica Kapinga. As milícias lhes dão armas de madeira para que o inimigo pense que vão armados, mas nada mais longe da realidade. Estão totalmente desprotegidos. Kapinga e os demais também recebem faixas vermelhas para atar ao redor da cintura. Dizem-lhes que quando estiverem cansados na batalha, tudo o que têm que fazer é tirar a faixa "para desaparecer e ir para qualquer lado". Há muitas histórias similares em que as crianças pensam que podem se teletransportar e estar a salvo. A última batalha a que Kapinga foi quase acaba com sua vida; recebeu um disparo no pescoço e se salvou milagrosamente. Nesse momento, tomou a decisão de abandonar a milícia de uma vez por todas. Suas esperanças para o futuro são simples: "Gostaria de voltar para casa com meu pai."

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