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Fundador de AlphaBay foi pego por um erro de principiante

Responsável pelo maior mercado clandestino da Deep Web usou sua conta de e-mail pessoal na mensagem de boas-vindas ao serviço de compra e venda de produtos ilegais

O procurador-geral Jeff Sessions dá uma coletiva de imprensa expondo as ações internacionais realizadas contra o cibercrime em Washington. Ampliar foto
O procurador-geral Jeff Sessions dá uma coletiva de imprensa expondo as ações internacionais realizadas contra o cibercrime em Washington.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira o desmantelamento do mercado clandestino AlphaBay, a maior plataforma para a venda de narcóticos, números de cartões de crédito ou contas de serviços on-line roubadas. As autoridades holandesas também conseguiram acabar com o Hansa Market, outro mercado que operava na Internet profunda ou Deep Web.

O AlphaBay tinha mais de 350.000 produtos ilegais, 200.000 consumidores e 40.000 vendedores listados, estima a Europol, que colaborou na operação. É o maior golpe contra um mercado desse tipo na história desde a operação que desmantelou o mercado Silk Road, em 2013.

Deep Webé o conjunto de páginas da web que não estão indexadas pelos motores de busca como Google ou Bing. É tudo o que não conseguimos ver debaixo da ponta do iceberg. Os criminosos encontraram ali o lugar ideal para realizar suas operações de compra e venda de drogas, armas, cartões de crédito, etc.

O acesso a esses mercados é feito através da rede Tor, na qual o envio de informações não revela a identidade do remetente, seu endereço IP. É uma rede de incontáveis camadas, muito difícil de penetrar pelas forças de segurança, que geralmente dependem de engenharia social para detectar os criminosos. Os pagamentos são feitos por criptomoedas como o bitcoin ou monero para dificultar a descoberta pelas autoridades.

Alexandre Cazes, 26 anos, estava no comando do AlphaBay até que foi preso na Tailândia em 5 de julho acusado de conspiração para distribuir drogas, roubo de identidade, fraude e lavagem de dinheiro. Ele cometeu suicídio em sua cela uma semana depois, enforcando-se com uma toalha.

Vários erros facilitaram a investigação

O jovem de nacionalidade canadense cometeu vários erros graves ao esconder seus rastros, como revelou a investigação. Foi encontrado um endereço de e-mail do Hotmail (Pimp_alex_91@hotmail.com) no cabeçalho dos e-mails de boas-vindas e de recuperação de senha que foram usados até o final de 2014, no AlphaBay.

O chefe do AlphaBay deixou vários rastros da sua conta de e-mail

As autoridades canadenses conseguiram confirmar que essa conta foi registrada em nome de Alexandre Cazes nascido em 19 de outubro de 1991. Além disso, conseguiram descobrir que a conta de e-mail foi usada para escrever respostas em um fórum de informática, no qual assinou com seu nome real.

Na ação judicial afirma-se que no momento em que foi preso pela polícia tailandesa, o laptop de Cazes estava aberto, sem criptografia e estava operando no AlphaBay com permissões de administrador. Graças a essas facilidades, o FBI e a DEA encontraram vários documentos de texto desprotegidos nos quais havia senhas e frases-chave da web e dos servidores da AlphaBay.

Hansa, a armadilha dos “narcos”

Enquanto a DEA e o FBI cercavam Caze, a Europol ajudou as autoridades holandesas a encontrar e prender os dois administradores do mercado clandestino Hansa, que tinha sua infraestrutura localizada na Holanda, Alemanha e Lituânia. A polícia holandesa e a Europol assumiram o controle do portal em 20 de junho através de uma permissão judicial para rastrear as atividades criminosas de todos os traficantes de drogas que já não podiam realizar suas atividades na AlphaBay e viram no Hansa a alternativa ideal.

Assim, sem perceberem, todas as ordens e endereços de compra e venda de drogas estavam sendo monitorados o tempo todo à espera do golpe final para os dois mercados clandestino.

“Nas últimas semanas, a polícia holandesa reuniu informações valiosas de objetivos de alto perfil e endereços de envio de vários carregamentos que serão investigados”, disse a Europol em um comunicado. “Foi um sucesso extraordinário.”

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