Seleccione Edição
Login

Muito próximo do inferno

Agadèz, em Níger, é a porta de entrada para o deserto do Saara e enclave na rota migratória para a Líbia

  • Marian, 23 anos, nascida em Lagos (Nigéria), permaneceu por sete meses em um sótão em Trípoli (Líbia) forçada a ser escrava sexual. Durante esse tempo, não viu a luz do dia. Seu pesadelo terminou quando conseguiu reunir o dinheiro para recobrar sua liberdade.
    1Marian, 23 anos, nascida em Lagos (Nigéria), permaneceu por sete meses em um sótão em Trípoli (Líbia) forçada a ser escrava sexual. Durante esse tempo, não viu a luz do dia. Seu pesadelo terminou quando conseguiu reunir o dinheiro para recobrar sua liberdade.
  • Rua do centro histórico de Agadèz (Níger). A cidade é hoje a porta de entrada para o deserto do Saara e enclave fundamental na rota migratória para a Líbia. Durante séculos, Agadèz foi um importante cruzamento de vias e centro comercial para a rota de caravanas do Saara.
    2Rua do centro histórico de Agadèz (Níger). A cidade é hoje a porta de entrada para o deserto do Saara e enclave fundamental na rota migratória para a Líbia. Durante séculos, Agadèz foi um importante cruzamento de vias e centro comercial para a rota de caravanas do Saara.
  • Adam Souleyman (24 anos) e Nasser Abou (28 anos) consultam seus celulares em uma casa de Agadèz, Níger. Ambos foram capturados como escravos quando atravessavam a Líbia em busca do sonho europeu. Durante meses, foram obrigados a trabalhar sob um regime de violência. Ambos conseguiram escapar.
    3Adam Souleyman (24 anos) e Nasser Abou (28 anos) consultam seus celulares em uma casa de Agadèz, Níger. Ambos foram capturados como escravos quando atravessavam a Líbia em busca do sonho europeu. Durante meses, foram obrigados a trabalhar sob um regime de violência. Ambos conseguiram escapar.
  • Mercado de gado de Agadèz. Há séculos, a cidade foi um importante ponto de abastecimento para as caravanas tuaregues nômades do Saara.
    4Mercado de gado de Agadèz. Há séculos, a cidade foi um importante ponto de abastecimento para as caravanas tuaregues nômades do Saara.
  • A rota que atravessa o deserto para a Líbia é um caminho repleto de perigos: milícias, bandidos, clima extremo, acidentes... Hoje em dia a rota principal permanece fechada e controlada pelas autoridades, mas os traficantes buscam várias alternativas, tantas quanto oferece o imenso deserto.
    5A rota que atravessa o deserto para a Líbia é um caminho repleto de perigos: milícias, bandidos, clima extremo, acidentes... Hoje em dia a rota principal permanece fechada e controlada pelas autoridades, mas os traficantes buscam várias alternativas, tantas quanto oferece o imenso deserto.
  • Mohamed é o nome fictício do líder de uma das principais organizações de traficantes de pessoas de Agadèz. Possui vários 4 x 4 e tem a seu encargo dezenas de funcionários. Todo mês, sua organização transporta centenas de imigrantes para a Líbia. Cada imigrante deve pagar cerca de 400 euros (em torno de 1.440 reais). Mohamed assegura que nem os controles militares nem os policiais deterão o fluxo migratório.
    6Mohamed é o nome fictício do líder de uma das principais organizações de traficantes de pessoas de Agadèz. Possui vários 4 x 4 e tem a seu encargo dezenas de funcionários. Todo mês, sua organização transporta centenas de imigrantes para a Líbia. Cada imigrante deve pagar cerca de 400 euros (em torno de 1.440 reais). Mohamed assegura que nem os controles militares nem os policiais deterão o fluxo migratório.
  • Mercado central de Agadèz. Dezenas de migrantes trabalham com ele com a esperança de conseguir economizar o dinheiro que lhes permita custear a passagem para a Europa.
    7Mercado central de Agadèz. Dezenas de migrantes trabalham com ele com a esperança de conseguir economizar o dinheiro que lhes permita custear a passagem para a Europa.
  • Achaman Agahli ficou retido na Líbia por mais de dois meses. Nesse período foi transformado em escravo: trabalhava para um milionário líbio em sua fazenda sem receber nada em troca. Conseguiu fugir depois de algumas semanas.
    8Achaman Agahli ficou retido na Líbia por mais de dois meses. Nesse período foi transformado em escravo: trabalhava para um milionário líbio em sua fazenda sem receber nada em troca. Conseguiu fugir depois de algumas semanas.
  • Os caminhões servem para transportar mercadoria e pessoas pelos diversos povoados do deserto. Na imagem, um dos caminhões de transporte espera para cruzar um bloqueio da polícia de Níger.
    9Os caminhões servem para transportar mercadoria e pessoas pelos diversos povoados do deserto. Na imagem, um dos caminhões de transporte espera para cruzar um bloqueio da polícia de Níger.
  • Centro histórico de Agadèz. Durante séculos, a cidade foi um importante cruzamento de vias e polo comercial na rota das caravanas do Saara. Seu esplendor ficou no passado e, depois da rebelião tuaregue e da guerra na Líbia, deixou de interessar os turistas. Hoje, a cidade está em decadência. O pó, a areia e o lixo povoam as ruas.
    10Centro histórico de Agadèz. Durante séculos, a cidade foi um importante cruzamento de vias e polo comercial na rota das caravanas do Saara. Seu esplendor ficou no passado e, depois da rebelião tuaregue e da guerra na Líbia, deixou de interessar os turistas. Hoje, a cidade está em decadência. O pó, a areia e o lixo povoam as ruas.
  • Kawal é de Níger. Trabalhou na Europa durante um tempo, mas a crise o fez voltar para a África. Conhece bem o deserto, por isso agora se dedica ao transporte ilegal de migrantes pelo Teneré, apesar do risco e dos perigos que a atividade representa. Trabalha para traficantes proprietários de potentes 4 x 4 que encomendam dele os envios até a fronteira. Uma vez ali, deixa-os com seu contato que os colocará na Líbia. Fotografado em sua casa.
    11Kawal é de Níger. Trabalhou na Europa durante um tempo, mas a crise o fez voltar para a África. Conhece bem o deserto, por isso agora se dedica ao transporte ilegal de migrantes pelo Teneré, apesar do risco e dos perigos que a atividade representa. Trabalha para traficantes proprietários de potentes 4 x 4 que encomendam dele os envios até a fronteira. Uma vez ali, deixa-os com seu contato que os colocará na Líbia. Fotografado em sua casa.
  • Rodoviária de Agadèz. Aqui vivem de forma instável alguns migrantes que esperam o momento de voltar a seus países de origem ou prosseguir. Esperam o dinheiro que a família terá de enviar para pagar a passagem de volta ou para chegar à Europa.
    12Rodoviária de Agadèz. Aqui vivem de forma instável alguns migrantes que esperam o momento de voltar a seus países de origem ou prosseguir. Esperam o dinheiro que a família terá de enviar para pagar a passagem de volta ou para chegar à Europa.
  • Abou Bacar Yaw, nascido na Gâmbia, foi preso na Líbia e ficou retido em um edifício abandonado. Em poucos dias se deu conta de que aquele lugar era um mercado de escravos, onde chegavam e eram leiloados imigrantes subsaarianos. Abou foi vendido e trabalhou como escravo por vários meses na casa de uma família líbia.
    13Abou Bacar Yaw, nascido na Gâmbia, foi preso na Líbia e ficou retido em um edifício abandonado. Em poucos dias se deu conta de que aquele lugar era um mercado de escravos, onde chegavam e eram leiloados imigrantes subsaarianos. Abou foi vendido e trabalhou como escravo por vários meses na casa de uma família líbia.
  • Anoitece na cidade de Agadèz enquanto uma tempestade de areia se aproxima. O clima da cidade é extremo e isso é um dos fatores que marcam a hostilidade do terreno. Ainda assim, é um grande oásis onde descansam os que pretendem iniciar a travessia do deserto. Foi parada obrigatória para as antigas caravanas do Saara e ainda é para os migrantes cujo destino final é a Europa.
    14Anoitece na cidade de Agadèz enquanto uma tempestade de areia se aproxima. O clima da cidade é extremo e isso é um dos fatores que marcam a hostilidade do terreno. Ainda assim, é um grande oásis onde descansam os que pretendem iniciar a travessia do deserto. Foi parada obrigatória para as antigas caravanas do Saara e ainda é para os migrantes cujo destino final é a Europa.
  • Abou Bakar tem 17 anos, é de Guiné e está há 4 meses em Agadèz vivendo em um gueto enquanto espera conseguir dinheiro de sua família para continuar a viagem para a Europa. Diz que não tem medo da Líbia, só quer chegar à Europa.
    15Abou Bakar tem 17 anos, é de Guiné e está há 4 meses em Agadèz vivendo em um gueto enquanto espera conseguir dinheiro de sua família para continuar a viagem para a Europa. Diz que não tem medo da Líbia, só quer chegar à Europa.
  • Centro de acolhida de imigrantes da OIM (Organização Internacional para as Migrações da ONU). A este centro chegam e saem todo dia grupos de migrantes que não conseguiram chegar à Europa e são repatriados a seus países de origem. Costumam ficar duas semanas enquanto são identificados e registrados. Na imagem, imigrantes jogam futebol no pátio central do centro.
    16Centro de acolhida de imigrantes da OIM (Organização Internacional para as Migrações da ONU). A este centro chegam e saem todo dia grupos de migrantes que não conseguiram chegar à Europa e são repatriados a seus países de origem. Costumam ficar duas semanas enquanto são identificados e registrados. Na imagem, imigrantes jogam futebol no pátio central do centro.
  • Adam Souleyman posa na entrada do deserto que, há um ano, atravessou rumo à Líbia. Ali foi capturado e transformado em escravo. Todo dia tinha de trabalhar em uma fazenda, enquanto era espancado com um cabo. Conseguiu escapar depois de vários meses.
    17Adam Souleyman posa na entrada do deserto que, há um ano, atravessou rumo à Líbia. Ali foi capturado e transformado em escravo. Todo dia tinha de trabalhar em uma fazenda, enquanto era espancado com um cabo. Conseguiu escapar depois de vários meses.

MAIS INFORMAÇÕES