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Tragédia em Portugal

A força da natureza não deve impedir que se avalie rigorosamente se a resposta das autoridades e dos meios de combate mobilizados foi adequada

Várias casas danificadas pelo fogo em Nodeirinho, perto de Pedrógão Grande (Portugal).
Várias casas danificadas pelo fogo em Nodeirinho, perto de Pedrógão Grande (Portugal).ANTONIO COTRIM

Uma terrível conjunção de fatalidades causou em Portugal uma das maiores tragédias provocadas pelo fogo, com ao menos 63 mortos e 135 feridos. A onda de calor dos últimos dias (com temperaturas entre 38° C e 41° C) e a baixa umidade (25%) transformaram as florestas em uma pira pronta para o fogo. Quando parecia que iria chover, o que chegou foi uma tempestade seca que evaporou a água e descarregou uma grande quantidade de raios que acenderam a mecha. Os fortes ventos em rajadas característicos desse tipo de tempestade fizeram com que o fogo se propagasse rapidamente. O resultado foi catastrófico.

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Os melhores meios de combate possíveis teriam sido provavelmente insuficientes para conter a onda de fogo, mas a força da natureza não deve impedir que se avalie rigorosamente se a resposta das autoridades e dos meios mobilizados foi adequada. Haverá tempo para tirar conclusões, mas o que aconteceu deve levar a enfatizar a necessidade de prevenção. A melhor maneira de impedir as consequências do fogo é evitar que acenda, e isso requer uma política florestal ousada. Espanha e Portugal compartilham um clima desfavorável e uma composição de florestas altamente propensa ao fogo pela proliferação de espécies como o pinheiro e o eucalipto, que queimam com facilidade. No caso de Portugal, as plantações de eucalipto se espalharam rapidamente até ocupar 26% da área florestal.

Portugal aprovou em março uma reforma florestal que inclui uma moratória para limitar a expansão das plantações de eucalipto. Mas uma mudança como essa requer tempo. Enquanto isso é necessário reforçar as medidas de prevenção, que incluem pelo menos os seguintes elementos: manutenção e limpeza das florestas; planejamento barreiras para conter o fogo e mosaicos de espécies que diminuam o risco de incêndio; planos de confinamento ou evacuação segura e um sistema de vigilância capaz de detectar o fogo no primeiro momento e intervir antes que alcance massas calóricas difíceis de controlar.

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