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Rejeição mundial

Arbitrariedade de Trump desencadeia uma oposição frontal

Cartazes contra a ordem de Trump no aeroporto JFK de Nova York.
Cartazes contra a ordem de Trump no aeroporto JFK de Nova York.SHANNON STAPLETON (REUTERS)

A confusão e os protestos originados pela ordem de Donald Trump de vetar temporariamente a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países do Oriente Médio e de refugiados sírios não só colocam em evidência um estilo de governo imaturo e imprudente, mas, como observou alarmado o presidente Obama — apoiado pelo resto do mundo —, mostram até que ponto a presidência de Trump está colocando em jogo desde o primeiro minuto os valores mais essenciais em que está assentada a democracia norte-americana.

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Trump, fiel ao seu estilo populista, assinou sem parar para pensar em suas consequências — ou pior, com plena consciência delas — uma ordem executiva que não só desprezava e ofendia milhões de pessoas ao considerá-las perigosas e suspeitas de terrorismo simplesmente em função de sua origem, mas, como está sendo demonstrado, significa uma grave violação dos direitos constitucionais de muitas pessoas legalmente estabelecidas nos EUA.

Os protestos que aconteceram tanto nos aeroportos do país como em muitos setores da população norte-americana mostram que Trump vai encontrar uma resposta feroz por parte de uma sociedade que considera sagrados os direitos e liberdades e, especialmente, sua identidade como uma nação de imigrantes. Apontar como suspeitos grupos inteiros de pessoas, com base em sua etnia, religião ou origem, é realmente incompatível com os valores norte-americanos, como felizmente todo mundo está entendendo, dentro e fora dos EUA.

A linguagem agressiva do presidente, sua obsessão constante contra a imprensa e sua obstinação em não recuar em situações de puro bom senso — ou só recuar obrigado pela justiça — estão abrindo um profundo conflito social de consequências imprevisíveis.

É muito significativo que esta medida também tenha provocado reações em todos os níveis, no âmbito nacional e internacional. As palavras da chanceler alemã, Angela Merkel, foram especialmente corretas ao avisar que a luta contra o terrorismo não pode justificar a suspeita generalizada contra as pessoas de uma determinada origem geográfica ou religião.

Como é especialmente simbólica a rejeição entre os responsáveis pelas grandes empresas norte-americanas — e em Wall Street —, com alguns deles comparecendo pessoalmente às manifestações nos aeroportos, outros anunciando a contratação de milhares de refugiados e também entre vários membros do Partido Republicano.

Trump — cujo fortuna pessoal tem sua base no setor imobiliário e nos cassinos — se autoproclama um campeão da economia e da criação de empregos, mas esta medida impensada ganhou a oposição das empresas que faturam bilhões de dólares e geram dezenas de milhares de empregos, nos Estados Unidos e no mundo. Fazer com que o país cresça e fique mais seguro é o oposto de fechar as fronteiras e humilhar milhões de pessoas.