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Os negócios de Trump

Os EUA não podem se tornar mais um negócio do novo presidente

“A presidência dos Estados Unidos é a tarefa mais importante”. Foi assim que Donald Trump assegurou, em uma série de tuítes, que deixará a administração de seus numerosos negócios privados para se dedicar à tarefa de governar a superpotência, cuja presidência assumirá no próximo dia 20 de janeiro. Uma medida louvável, mas que chega de um modo e em uma forma que são, no mínimo, criticáveis, e que levanta sérias dúvidas.

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Em primeiro lugar, Trump deveria estar ciente de que, embora ainda não tenha feito seu juramento, é presidente eleito dos EUA desde que ganhou as eleições. Suas decisões exigem explicações e argumentos elaborados. Anunciá-las em golpes de 140 caracteres no Twitter — e em uma conta que, traduzida em português, chama-se “o verdadeiro Donald Trump” — não é o mais adequado e já abre muitas interrogações. O fato de um homem com tantas empresas e interesses econômicos — nos Estados Unidos e em todo o mundo — dizer que pensa em deixar a administração significa também que renuncia à propriedade, mesmo que seja uma decisão formal e temporária? Em caso contrário, continuará obtendo benefícios econômicos por ser proprietário? Sua família — a mesma que parece agora em reuniões com líderes estrangeiros — manejará esses negócios? As possibilidades que se abrem para diversos conflitos de interesse são enormes.

A maneira com que Trump está conduzindo sua transição já indica uma confusão perigosa entre o público e o privado. Mesmo que seja simbólico, os representantes de governos estrangeiros que se hospedarem em seus hotéis, ao pagar a conta, estarão beneficiando economicamente o próximo inquilino da Casa Branca. Trump deve ser o primeiro servidor da lei; sua obrigação é conhecê-la ou, no mínimo, deixar-se assessorar por quem a conheça. Os Estados Unidos não podem se tornar mais um negócio.