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Os negócios de Trump

Os EUA não podem se tornar mais um negócio do novo presidente

Donald Trump, no Clube Internacional de Golf Trump, em Bedminster (Estados Unidos).
Donald Trump, no Clube Internacional de Golf Trump, em Bedminster (Estados Unidos).PETER FOLEY / EFE

“A presidência dos Estados Unidos é a tarefa mais importante”. Foi assim que Donald Trump assegurou, em uma série de tuítes, que deixará a administração de seus numerosos negócios privados para se dedicar à tarefa de governar a superpotência, cuja presidência assumirá no próximo dia 20 de janeiro. Uma medida louvável, mas que chega de um modo e em uma forma que são, no mínimo, criticáveis, e que levanta sérias dúvidas.

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Em primeiro lugar, Trump deveria estar ciente de que, embora ainda não tenha feito seu juramento, é presidente eleito dos EUA desde que ganhou as eleições. Suas decisões exigem explicações e argumentos elaborados. Anunciá-las em golpes de 140 caracteres no Twitter — e em uma conta que, traduzida em português, chama-se “o verdadeiro Donald Trump” — não é o mais adequado e já abre muitas interrogações. O fato de um homem com tantas empresas e interesses econômicos — nos Estados Unidos e em todo o mundo — dizer que pensa em deixar a administração significa também que renuncia à propriedade, mesmo que seja uma decisão formal e temporária? Em caso contrário, continuará obtendo benefícios econômicos por ser proprietário? Sua família — a mesma que parece agora em reuniões com líderes estrangeiros — manejará esses negócios? As possibilidades que se abrem para diversos conflitos de interesse são enormes.

A maneira com que Trump está conduzindo sua transição já indica uma confusão perigosa entre o público e o privado. Mesmo que seja simbólico, os representantes de governos estrangeiros que se hospedarem em seus hotéis, ao pagar a conta, estarão beneficiando economicamente o próximo inquilino da Casa Branca. Trump deve ser o primeiro servidor da lei; sua obrigação é conhecê-la ou, no mínimo, deixar-se assessorar por quem a conheça. Os Estados Unidos não podem se tornar mais um negócio.

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