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Nintendo Switch: o novo console doméstico e portátil

Os comandos podem ser levados para a rua, continuando o jogo fora de casa

Nintendo Switch, portátil e doméstica.
Nintendo Switch, portátil e doméstica.

Para a Nintendo, o futuro é híbrido. A centenária marca japonesa, reticente na aproximação com a telefonia móvel, começa a se mexer. O Nintendo Switch, apresentado nesta quinta-feira, é a sua visão do videogame do futuro. Se depender dela, os videogames acompanharão o jogador aonde quer que este vá, dentro ou fora de casa.

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O Switch, um console conhecido até hoje pelo nome de NX, prevê a conexão com o sistema ao aparelho de televisão da casa, como ocorre atualmente, mas também permite que se usem comandos desmontáveis, chamados de Joy-Com. Quando o console é retirado de sua base, o sistema se torna portátil, incluindo uma tela de alta definição.

A Nintendo não se esquece de um dos mais legendários segredos de seu sucesso, que é o modo multijogador. Mesmo no modo portátil, os comandos permitem que duas pessoas continuem a jogar no metrô, em um restaurante ou qualquer outro lugar fora de casa.

Com o console retirado de sua base, o sistema se torna portátil, incluindo uma tela de alta definição

Durante a apresentação, feita por Satoru Shibata, presidente da empresa, foram mostrados mais acessórios e se anunciou que haverá uma versão ainda mais avançada do comando, para os fanáticos por jogos de ação. “Espero que essas primeiras imagens do Nintendo Switch possam ter dado aos fãs uma ideia das possibilidades que se abrirão para eles quando tiverem a liberdade de jogar na hora, onde e do jeito que quiserem”, observou Shibata.

O Switch deve chegar ao mercado em março de 2017, data um tanto esquisita: não é Natal nem um período próximo das férias, os dois grandes momentos de venda de videogames. Além disso, ignora-se a E3, a grande feira anual da indústria em Los Angeles.

O preço ainda é desconhecido, embora os primeiros rumores indiquem que estará em uma faixa entre 200 e 300 dólares (620 e 930 reais), semelhante à do seu último grande sucesso, o Wii. A Nintendo pretende que cada jogador tenha o seu; e permitirá que esses se conectem uns com os outros para jogar e se obter, assim, uma experiência social mais intensa.

Muitas incógnitas

A proposta da Nintendo se mostra surpreendente, mas, ao mesmo tempo, deixa no ar várias incógnitas. Isso faz parte da sua maneira de se comunicar. A partir de agora, o mecanismo se ativa, a fim de ir revelando os mistérios. Acabarão os portáteis originais? Não se deve esquecer que foram eles que lançaram o megacampeão de vendas Gameboy, depois ressurgido como Nintendo DS. Essa linha foi mantida com o 3DS, com altos e baixos. Foi a sua forma de negar e conter o impacto dos celulares sobre os games. Protegeram os seus personagens icônicos o máximo possível. O impacto do Pokémon Go, da Niantic, empresa da qual a Nintendo possui 30% das ações, mostrou-lhes que é possível, sim, liberar algumas de suas legendárias criaturas sem que a experiência se perca. A capacidade do mercado de celulares já é grande o suficiente para satisfazer os usuários. O passo seguinte será por meio da Apple, uma empresa que também é muito ciosa no que se refere à experiência do usuário e que não costuma deixar nada para o acaso. O Super Mario Run será o primeiro jogo idealizado conjuntamente pelas duas empresas.

O lançamento do Switch demonstra que a concessão de algumas experiências, ainda controladas de perto no celular, não farão com que sua visão se altere: um ecossistema em que os aparelhos são criados sob medida para os seus títulos. A Nintendo tem sido acusada, historicamente, de não inserir muita potência em seus equipamentos, de poupar muito em termos de hardware. Se os componentes são comparados item por item, trata-se de uma crítica apropriada. Mas, quando se pensa em como eles usados, ela perde o sentido. A empresa foi a primeira a produzir consoles portáteis com tela dupla, sendo uma delas táctil, por exemplo. Foram os primeiros, também, a fazer com que os jogadores se levantassem do sofá e fizessem, ainda que limitadamente, algum exercício, com o Wii. Ou seja: o uso do hardware depende da criação de uma experiência concreta.

O último lançamento, porém, havia provocado algumas reflexões. O Wii U foi um desastre comercial, o preço era muito alto, a experiência acabou não sendo inovadora e, sobretudo, os desenvolvedores de outras empresas o ignoraram. Durante esta primeira apresentação do Switch, a empresa destacou que conta com o apoio de outros estúdios de criação. “Nossas equipes da Nintendo e muitos outros desenvolvedores estão se dedicando a fundo a fim de criar experiências únicas para os jogadores desfrutarem, e queremos poder logo mostrar mais coisas”. Entre os estúdios que apoiam o console estão Electronic Arts, os criadores dos games da FIFA, imprescindíveis em qualquer coleção, Capcom, Bandai, Epic, Sega, THQ, Square Enix e Ubisoft. Este último foi, justamente, o que havia se mostrado mais crítico ao Wii U.

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