Reunião anual do FMI

G20 alerta para aumento nos riscos à economia global

Ministros de finanças advertem que o “populismo profundo” contra a globalização gera mais incertezas

O ministro alemão de Finanças.
O ministro alemão de Finanças.J. L. DUGGAN (REUTERS)

A incerteza e os riscos para a economia crescem. É a leitura que fazem os ministros de Finanças do G20 depois do encontro que realizaram durante a reunião do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. A retórica populista, as eleições em vários países, a saída britânica da União Europeia, a vulnerabilidade dos mercados financeiros, a ameaça terrorista e a iminente alta dos juros nos Estados Unidos são fatores com forte influência negativa sobre a economia global, segundo os representantes do grupo que reúne as maiores economias mundiais.

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O ministro chinês de Finanças, Lou Jiwei, alertou que nuvens negras persistem no horizonte de curto e médio prazo. “Tivemos uma discussão aprofundada sobre os desafios à recuperação”, disse, reiterando o compromisso dos membros do grupo no sentido de mobilizar todos os instrumentos ao seu dispor para apoiar o crescimento. Entre eles, destacou a promoção do comércio.

O G20 passa por uma transição complexa. Procura deixar de ser um mecanismo de resposta às crises e evoluir para um papel de governança da economia global. O problema é que a globalização é utilizada como arma pelos políticos para justificar os problemas que continuam afetando seus países, e isso coloca em dúvida o propósito do grupo.

“O populismo profundo contra a globalização gera mais incertezas”, advertiu Lou na última reunião do G20 presidida pela China. O bastão agora passa para a Alemanha, cujo ministro de Finanças, Wolfgang Schaeuble, compartilha da mesma inquietação do seu colega. Por isso, a prioridade será reforçar a resistência das economias. “Os problemas herdados da crise não estão resolvidos”, disse.

O G20 se reuniu a um mês das eleições presidenciais nos Estados Unidos. O candidato republicano, Donald Trump, está recorrendo a uma linguagem protecionista muito agressiva. O ministro chinês evitou citar nominalmente o magnata, mas observou que há políticos que estão recorrendo a “discursos antiglobalização para ganhar votos”. O temor é que esse tipo de dialética provoque conflitos comerciais.

A sombra do Deutsche Bank

A outra sombra que pairou sobre a reunião foi a situação do Deutsche Bank. O ministro alemão evitou comentar as dificuldades da principal instituição de crédito do seu país. Defendeu, porém, o regime de supervisão que existe na Europa para vigiar a saúde dos bancos, em resposta aos comentários de Christine Largarde, diretora do FMI, sobre a necessidade de que o banco alemão ajuste seu modelo de negócio.

Lou saiu em seu socorro dizendo que “o mercado amplifica as incertezas”, comentário que estendeu às oscilações da libra por causa do Brexit. Schaeuble acrescentou que a volatilidade é sempre um risco para as economias globais, especialmente as emergentes. Também afirmou que os juros baixos e o endividamento volumoso criam um risco para o sistema financeiro.

O G20 decidiu continuar trabalhando para melhorar a aplicação das regras de transparência no âmbito fiscal, de modo a reduzir as brechas que permitem a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro. Nesse sentido, quer avançar no intercâmbio de informações sobre as empresas usadas como fachada para escapar à tributação. Schaeuble citou a necessidade de prestar mais atenção às remessas financeiras.

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