Astronomia

Descoberto novo planeta anão no Sistema Solar

Astro tem diâmetro estimado de 700 km, um terço de Plutão, e demora 700 anos para dar a volta ao redor do Sol

A órbita do novo planeta anão assinalada em amarelo Alex Parker / Javier Guzmán

A família dos planetas anões está crescendo. Esta semana, foi anunciada a presença de mais um desses objetos no Cinturão de Kuiper, na periferia do Sistema Solar. Ainda sem nome, o novo membro foi batizado temporariamente como 2015 RR245, e tem um diâmetro estimado de 700 quilômetros, segundo as primeiras observações. Plutão, o maior dos corpos de gelo da região, tem um diâmetro de 2.371 quilômetros.

Javier Licandro, pesquisador do Instituto Astrofísico das Canárias, na Espanha, comenta que, entretanto, “por enquanto o que se conhece é o brilho”. “Além do tamanho, esse aspecto é determinado pela quantidade de luz refletida pela superfície do objeto”, afirma. “Em todo caso, nessa região, um corpo com 400 quilômetros de diâmetro já seria considerado um planeta anão. Por isso é muito provável que o novo astro entre nessa categoria”.

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Sua órbita está muito mais distante do Sol do que aquele que, durante décadas, foi o nono planeta conhecido. O novo planeta anão leva 700 anos para dar uma volta completa em torno de nossa estrela, em comparação com os 248 anos de Plutão. Em 2096, quando alcançar o ponto de sua órbita mais próximo do Sol, o novo planeta estará dentro da órbita de Plutão. No ponto mais afastado, será encontrado a uma distância 120 vezes maior do que a da Terra ao Sol: 18 bilhões de quilômetros.

A descoberta foi realizada em fevereiro, a partir de imagens capturadas pelo Telescópio Canadá-França-Havaí em setembro de 2015, como parte do Estudo das Origens do Sistema Solar (OSSOS, na sigla em inglês). O projeto pretende explorar a população de “primos” de Plutão com o objetivo de entender a evolução de nosso sistema planetário. O estudo já revelou mais de 500 objetos, mas este é o primeiro que poderá alcançar a categoria de planeta anão.

De acordo com a equipe responsável pela observação, a maior parte dos planetas anões foi destruída ou expulsa do Sistema Solar durante o caos que se seguiu ao momento em que os planetas gigantes saíram de suas posições atuais. RR245 seria um dos poucos sobreviventes, ao lado de Eris e Plutão.

A categoria de planetas anões foi introduzida quando se observou que mais além da órbita de Plutão existiam objetos semelhantes que àquele que até então era um planeta a mais. A justificativa para ser um planeta anão não está em seu tamanho, mas em uma definição apresentada em 2006 pela União Astronômica Internacional: os planetas anões têm massa suficiente para serem esferas, como os planetas de direito, mas não têm a influência gravitacional necessária para ser o objeto dominante em sua órbita.

Por enquanto, Eris, Haumea e Makemake estão classificados como planetas anões para além da órbita de Netuno. Mais de uma dúzia de outros estão sendo analisados. Nesse grupo também entraria o novo objeto anunciado esta semana.