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O cérebro de um procrastinador

Palestra TED, que viralizou nas redes, explica por que deixamos tudo para a última hora

Todo mundo deixa as coisas para o último dia. Ou, pelo menos, para o penúltimo, explica Tim Urban, autor do blog Wait But Why, nesta palestra TED que já foi vista mais de 1,2 milhão de vezes.

De acordo com Urban, em nosso cérebro convivem um timoneiro que toma decisões de forma racional e um macaco que só se preocupa com a gratificação instantânea. Muitas vezes obedecemos ao macaco, porque o que ele nos propõe é fácil e divertido e, em vez de irmos avançando nesse trabalho que temos pendente, perdemos tempo no Twitter ou jogando pela sétima vez o Monkey Island 2. A única forma de começar a trabalhar é quando entra em ação o Monstro do Pânico, ou seja, quando a data de entrega está muito próxima. “No final, funciona”, explica Urban.

Mas isso não é suficiente. Dois anos atrás, Urban escreveu dois textos em seu blog sobre a procrastinação, explicando por que somos vítimas do macaco, e dando algumas dicas para lidar com ele, tais como listas de tarefas. Mas depois de ler os comentários, ele percebeu que a procrastinação cria angústia e frustração, embora mais ou menos todos nós consigamos terminar nosso trabalho a tempo.

De acordo com Urban –e este é o ponto-chave da palestra–, os piores efeitos da procrastinação são quando não há datas-limite. Ou seja, quando temos de dedicar tempo a coisas que são importantes, mas que ninguém nos exige, “como ver a família, fazer exercício e cuidar da saúde”. Para isso não há datas-limite. Ninguém vai nos pedir para que prestemos contas, exceto nós mesmos.

O cérebro de um procrastinador

Segundo Urban, quando deixamos esse tipo de tarefa para outro momento, nos sentimos como espectadores de nossas próprias vidas. A frustração não se deve ao fato de não termos podido realizar nossos sonhos, mas ao fato de não termos podido “nem começar a persegui-los”.

A conversa termina com uma imagem sombria: Urban nos mostra num gráfico todas as semanas de uma vida de 90 anos, remetendo-nos a outro texto de seu blog. “Não são muitas”. É verdade: são 4.690. E se você tem 30 anos, só lhe restam 3.120.

Continue a procrastinar, continue.

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