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Argentina retorna ao mundo

O acordo entre o Governo de Macri e fundos de investimento permite o regresso do país aos mercados

O presidente da Argentina, Mauricio Macri
O presidente da Argentina, Mauricio MacriD. Fernández (EFE)

O acordo alcançado pelo Governo argentino e os fundos que colocaram o país à beira da suspensão de pagamentos em meados de 2014 põe a Argentina no caminho adequado para retornar ao sistema financeiro internacional.

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O país terminou 2015 com reservas muito deterioradas e um déficit fiscal dos mais elevados dos últimos 30 anos, razão pela qual necessita de dinheiro novo para colocar em funcionamento infraestruturas e outras ferramentas que lhe permitam melhorar a baixa taxa de crescimento depois do fim do auge das matérias-primas. Sem o acordo com os fundos seria impossível ir ao mercado para obter essa liquidez. É verdade que faltam detalhes e que as coisas ainda podem dar errado: Buenos Aires tem até o dia 14 de abril para pagar 4,653 bilhões de dólares (cerca de 18,270 bilhões de reais) aos fundos e para isso terá de emitir dívida pública e colocá-la, o que se supõe que não será um problema graças a esse acordo.

Além disso, o Congresso deve revogar as leis que até agora bloqueavam as negociações, o que parece viável depois do rompimento do bloco kirchnerista e da obtenção, por parte do presidente, Mauricio Macri, de apoios visíveis de vários governadores peronistas.

O acordo é positivo para o Governo, apesar da retórica populista que dificulta a política argentina. O país, mesmo sendo a terceira maior economia da região, perdeu peso nos fóruns internacionais durante a última década; o acordo, apoiado pelos EUA, não só permite seu regresso aos mercado como devolve o país ao clube das potências emergentes que têm algo a dizer e não devem sofrer o confisco de seus navios ou aeronaves no exterior.