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O Irã está cumprindo

A retirada das sanções reflete o sucesso provisório do acordo nuclear

O presidente iraniano, Hassan Rohani, durante uma coletiva de imprensa no sábado, dia 16, em Teerã.
O presidente iraniano, Hassan Rohani, durante uma coletiva de imprensa no sábado, dia 16, em Teerã.HANDOUT (REUTERS)

O acordo histórico firmado entre a comunidade internacional e o Irã em julho passado quanto ao programa nuclear de Teerã rendeu um dos frutos mais esperados com o anúncio solene por parte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de que o Irã está cumprindo sua palavra; portanto, teve início uma consequente revogação gradual de sanções ao regime dos aiatolás. Em uma região arrasada pelas atrocidades do Estado Islâmico e pela guerra —e imersa em uma linguagem cheia de ameaças—, a evolução do acordo é uma notícia que põe em evidência a eficácia da diplomacia para resolver os conflitos internacionais.

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EDITORIAL | Enorme passo à frente

Assim como quando se chegou ao acordo, não se trata de lançar as bandeiras ao vento em um exercício de otimismo gratuito, mas a verdade é que, antes de sua assinatura e implantação, o Irã estava desenvolvendo em grande velocidade a tecnologia que lhe permitiria —apesar de o Governo de Teerã negar— possuir uma arma nuclear. Hoje essa possibilidade está mais distante que há sete meses: só isso já é um sucesso. Com o perigoso panorama de violência na região, alguns podem acusar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de ingenuidade ao declarar que hoje Estados Unidos, Oriente Médio e o mundo são “lugares mais seguros”, mas o governante do país a quem a retórica oficial iraniana qualifica de “grande Satã” está totalmente correta.

E se o cumprimento do compromisso por parte do Irã é positivo, a decisão, anunciada pelo secretário de Estado, John Kerry, de começar a retirar as sanções sobre o Irã, é tão positiva quanto. E aqui de novo não é necessário se enganar. Não se trata de uma decisão precipitada e total, mas gradual, atrelada à continuação do cumprimento do acordo nuclear e que não permitirá o rearmamento iraniano em tecnologia balística. É, portanto, uma retirada de sanções em que prima a sensatez e a cautela.

E ao mesmo tempo representa o começo do fim de uma situação irregular cuja continuidade não era boa para nenhuma das partes. O Irã, além de ser uma potência histórica regional, pode se tornar ator fundamental na estratégia de combate contra o jihadismo. Seu isolamento dificultava essa estratégia e ao mesmo tempo abria uma trincheira cada vez mais profunda com outras potências árabes. É crucial que em determinados foros de segurança e cooperação todos estejam sentados; a reincorporação do Irã ajudará, sem dúvida, a um maior entendimento.

No entanto, apesar desse clima positivo, não se pode esquecer alguns aspectos mais do que sinistros do regime. O Irã continua sendo uma teocracia com um triste recorde de violações aos direitos humanos, execuções sumárias e discriminação de pessoas. O benefício econômico representado pela retirada das sanções deveria atingir toda a população e não só a elite religiosa-militar que dirige o país. Seria bom também que seus dirigentes mudassem já sua agressiva retórica e a obsessão recorrente com Israel e os Estados Unidos. A nação persa está diante de uma oportunidade histórica e seu povo espera quase mais de seus dirigentes do que do exterior.

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