Hedy Lamarr, a atriz que inventou o wifi

Google homenageia com um doodle a primeira mulher que ficou nua nas telas do cinema

Foto Cordon Press | Vídeo REUTERS LIVE (reuters_live)

Se um roteirista tivesse imaginado uma vida como a sua, ninguém teria acreditado em um personagem como o de Hedy Lamarr (Viena, 9 de novembro de 1914). A atriz a quem o Google dedica hoje seu doodle, coincidindo com o 101º aniversário de seu nascimento, foi a primeira a ficar nua na história do cinema e a primeira a interpretar um orgasmo nas telas. Mas hoje o site de buscas na Internet lembra dela por ter desenvolvido a teoria do espectro de difusão, o precursor do wi-fi.

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A vienense fez história com 16 anos ao aparecer nua em Êxtase, de Gustav Machaty. Iniciou assim uma carreira que a transformou na “mulher mais bonita da história do cinema”, como era conhecida em seus anos de esplendor. Mas, depois das filmagens, a estrela de Hollywood dedicava as noites a desenvolver um sistema de salto de frequências de comunicação, precursor do atual wi-fi.

Um dia Lamarr conheceu o compositor e pianista George Antheil, um pioneiro da música mecanizada e da sincronização automática dos instrumentos. Juntos pensaram em aplicar o princípio da pianola aos torpedos dirigidos por rádio. Ou seja, empregar rolos de papel perfurado para que a frequência da comunicação fosse saltando entre 88 valores distintos (o número de teclas do piano), segundo uma sequência que somente poderiam conhecer aqueles que possuíssem um código. Isso impediria que o sistema fosse interceptado. A patente foi publicada em 11 de agosto de 1942 com o número 2.292.387, sob o título Sistema de Comunicação Secreta.

O sistema de Antheil e Lamarr, entretanto, não foi imediatamente explorado. Para Stephen Michael Shearer, biógrafo da atriz e autor de Beautiful: The Life of Hedy Lamarr isso ocorreu por duas razões: “Primeira e mais importante, o governo não entendeu ou não conceitualizou naquele momento a comunicação sem fio”. Mas, segundo o autor, o segundo motivo se devia ao perfil incomum da inventora. “Possivelmente o invento foi encostado porque Lamarr era tida como a mais bela mulher do mundo e devemos considerar que nessa época ninguém levava a sério uma mulher bonita em questões intelectuais”.

A invenção de Antheil e Lamarr, entretanto, seria aproveitada a partir dos anos 60, quando a patente foi utilizada para o desenvolvimento de comunicações militares sem fio para mísseis guiados. Seu trabalho como inventora só foi reconhecido depois de sua morte, no ano 2000. Desde 2005 seu aniversário, em 9 de novembro, é visto como o Dia do Inventor nos países de língua alemã (Áustria, Suíça e Alemanha) e em maio de 2014, Lamarr e Antheil foram incorporados ao Inventors Hall of Fame dos EUA.

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