Caso Volkswagen

Volkswagen descobre fraude maior e prejuízo sobe para 36 bilhões de reais

Grupo diz ter descoberto mais 800.000 carros que apresentam “incoerências inexplicáveis”

Mais 800.000 carros superam limites de CO2
Mais 800.000 carros superam limites de CO2RONNY HARTMANN / AFP

O escândalo da Volkswagen alcança novas proporções. Até o momento, a companhia só havia reconhecido a instalação de um software em 11 milhões de veículos que adulterava as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx). Na tarde de terça-feira, a empresa alemã informou que uma investigação interna revelou "incoerências inexplicáveis" em outras emissões, as de dióxido de carbono, em pelo menos 800.000 carros. A empresa calculou o prejuízo da nova irregularidade: por volta de 2 bilhões de euros (8,27 bilhões de reais), além dos outros 6,7 bilhões de euros (27,70 bilhões de reais) que foram provisionados para cobrir os custos da primeira crise.

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A companhia, em um comunicado, disse que "lamenta profundamente" a nova situação, e demonstrou que iniciará um diálogo com as autoridades para resolver o problema o quanto antes. Os veículos adulterados, das marcas Volkswagen, Skoda, Seat e Audi, são "em sua maioria" a diesel, o que deixa subentendido que, pela primeira vez, existem carros que utilizam motores à gasolina entre os implicados.

O dióxido de carbono influi diretamente na mudança climática, e ao contrário das emissões de NOx, as de dióxido são utilizadas como critério para que o Ministério da Indústria conceda subsídios aos fabricantes de automóveis. Logo depois o comunicado, as ações da empresa nos EUA despencaram mais de 5% na bolsa.

"Desde o começo fui favorável a esclarecer as coisas de maneira firme e implacável", disse o presidente da Volkswagen, Matthias Müller no comunicado. "Não iremos parar diante de nada nem de ninguém. Esse processo é doloroso, mas é nossa única alternativa. Para nós, a única coisa que conta é a verdade. É disso que a Volkswagen precisa", acrescentou Müller, que tomou o controle a empresa no final de setembro depois do escândalo causar a demissão de Martin Winterkorn.

A empresa voltou a colocar no final do comunicado um mantra que vem repetindo desde o começo da crise de emissões de gases em 18 de setembro: "todos os carros são seguros". Números de outubro já mostram o impacto da crise para a Volkswagen, com uma queda de vendas de 0,7% na Alemanha, uma diminuição de 3% na França e uma pequena melhora nos Estados Unidos de 0,24%, contra crescimentos de dois dígitos de seus rivais.

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