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Os pontos-chave para entender o escândalo da Volkswagen

A maior montadora do mundo enfrenta a pior crise de sua história

Volkswagen
Visitantes do salão do automóvel de Frankfurt no estande da Volkswagen. Getty Images

A Volkswagen enfrenta a pior crise de sua história recente. O maior fabricante de carros do mundo reconhece que instalou um software para driblar controles ambientais em 11 milhões de veículos a diesel no mundo todo. Estas são algumas chaves do escândalo que atingiu a imagem do gigante automobilístico alemão:

Agência ambiental norte-americana (EPA) acusa a Volkswagen na sexta-feira passada de instalar, de forma deliberada, um programa desenhado para evitar os limites às emissões em 482.000 veículos dos EUA. O programa detecta o momento em que o veículo é submetido a uma prova e reduz a emissão de gases poluentes só nesse momento. Uma vez em circulação, os carros chegavam a emitir óxidos de nitrogênio numa quantidade até 40 vezes maior que a permitida nos EUA.

O impacto econômico para a empresa é estimado inicialmente em um máximo de 18 bilhões de dólares (72 bilhões de reais), resultado de uma multa máxima de 37.500 dólares (150.000 reais) por veículo, embora a aplicação de uma sanção dessas proporções seja pouco provável, segundo os analistas. As ações do grupo caíram 18,6% no pior dia da Bolsa de sua história.

Volkswagen reconhece o erro e suspende a comercialização. A montadora admitiu que instalou o programa após a acusação da EPA. “Lamento profundamente ter decepcionado nossos clientes e a opinião pública”, disse o agora questionado presidente da empresa, Martin Winterkorn. O chefe da Volkswagen nos EUA foi mais direto: “Ferramos tudo”, declarou após admitir a fraude. A empresa deixou de vender os veículos diesel das marcas Volkswagen e Audi nos EUA.

Alemanha abre investigação. O Ministério do Meio Ambiente alemão anuncia uma reunião com o presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, e diz que espera que a empresa coopere também com as autoridades norte-americanas. O Ministério pede mais informações tanto para a Volkswagen como para outras montadoras alemãs, embora esclareça que não há indícios de que outras empresas tenham manipulado os testes de emissões poluentes.

O escândalo se torna mundial. A Volkswagen destina 6,5 bilhões de euros (cerca de 28,6 bilhões de reais) para conter a crise, revisa suas metas financeiras para 2015 e reconhece num comunicado que instalou o programa em 11 milhões de veículos a diesel em todo o mundo, mas afirma que o dispositivo não foi ativado na maioria dos casos.

Governos reagem. As investigações dos Governos da Alemanha e dos EUA somam-se às da Coreia do Sul, Itália e França. Esta última pede uma investigação em escala europeia que inclua as montadoras francesas. O Reino Unido se une à iniciativa através de um comunicado do secretário de Transportes, Patrick McLoughin, pedindo à Comissão Europeia que investigue. A Comissão Europeia afirma que “é preciso chegar ao fundo da questão” mas que “é prematuro estabelecer medidas de vigilância imediatas.”

Jornal alemão afirma que Winterkorn será substituído nesta sexta. O Der Tagesspiegel informa que Martin Winterkorn será substituído na sexta-feira pelo atual chefe da Porsche, Mathias Müller. Um porta-voz da Volkswagen desmente a informação.

Merkel exige transparência total. A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, pede que “todos os fatos sejam postos sobre a mesa o mais breve possível” e explica que o ministro do Transporte, Alexander Dobrindt, mantém “estreitos contatos” com a Volkswagen. As ações da empresa voltam a registrar perdas próximas de 20% no meio da sessão desta terça-feira.

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