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Rejeitada a extradição de Roman Polanski para os Estados Unidos

Um juiz rejeita a solicitação, mas a decisão ainda pode ser alvo de recurso

O cineasta Roman Polanski.
O cineasta Roman Polanski. AP

Um juiz de Cracóvia (Polônia) rejeitou nesta sexta-feira o pedido de extradição do cineasta Roman Polanski (Paris, 1933) para os Estados Unidos, onde foi condenado em 1977 por abuso sexual contra Samantha Geimer, que na época dos fatos tinha 13 anos. O magistrado Dariusz Mazur considerou que o pedido de extradição não era procedente, mas nos próximos sete dias cabe recurso a essa decisão junto a um tribunal superior.

O cineasta, de 83 anos, não estava presente na corte polonesa, embora esteja em Cracóvia. Seu advogado, Jan Olszewski, disse à agência Reuters que Polanski não compareceu ao tribunal por “razões emocionais”. O diretor de O Pianista, cidadão franco-polonês, rodou recentemente na Polônia um filme sobre o Caso Dreyfus.

A defesa de Polanski alegou que o cineasta já cumpriu pena de 42 dias de prisão em 2009, quando, como parte de um acordo com um juiz de Los Angeles, declarou-se culpado por manter relações sexuais com a menor. Além disso, segundo o advogado, o pedido de extradição tinha falhas jurídicas.

Essa disputa judicial já dura 38 anos. A primeira detenção de Polanski ocorreu logo depois do abuso sexual, ocorrido em 1977, durante uma festa na casa do ator Jack Nicholson, quando o cineasta já tinha 44 anos – 31 a mais que a vítima. Na época ele se declarou culpado, mas, temendo que o juiz não cumprisse um acordo e o condenasse, fugiu no ano seguinte para o Reino Unido e nunca mais voltou aos EUA. Ele ficou sob a proteção da França, país do qual é cidadão e que não mantém acordo de extradição com os EUA. Em dezembro do ano passado, um tribunal de Los Angeles rejeitou o pedido dos advogados dele para que o caso fosse definitivamente encerrado, e em seguida promotores dos EUA solicitaram sua extradição ao Governo polonês. Em fevereiro aconteceu a primeira audiência, e na seguinte, em abril, a tramitação foi suspensa até que o tribunal obtivesse mais informações da Justiça norte-americana. Finalmente, em 22 de setembro, saiu o anúncio de que a decisão final ficaria para esta sexta-feira.

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