Escândalo Volkswagen

Volkswagen anuncia cancelamento de seus investimentos não essenciais

"Serei muito claro: isto vai ser doloroso", disse o novo presidente, Matthias Müller

Veículos Golf recém-fabricados à espera de serem transportados, no pátio de uma empresa de logística em Gössnitz (Alemanha).
Veículos Golf recém-fabricados à espera de serem transportados, no pátio de uma empresa de logística em Gössnitz (Alemanha).JAN WOITAS (EFE)

A fraude das emissões de poluentes levou a Volkswagen a contingenciar 6,5 bilhões de euros (28,5 bilhões de reais) para possíveis prejuízos, há duas semanas, mas as consequências do maior escândalo vivido pela companhia desde o final da Segunda Guerra Mundial vão muito além. O novo presidente da Volkswagen, Matthias Müller, anunciou nesta terça-feira que o grupo revisará todos os investimentos previstos e “cancelará ou adiará os que não forem estritamente necessários”.

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“Serei muito claro: isto será doloroso”, declarou o homem encarregado de recuperar a empresa, diante de quase 20.000 funcionários reunidos na sede central em Wolfsburgo. Foi a primeira assembleia convocada desde que veio à tona a alteração fraudulenta de 11 milhões de motores a diesel fabricados pela empresa, para que fossem aprovados em testes de emissão de poluentes.

Müller disse aos empregados, segundo um comunicado divulgado no site da empresa, que o plano de eficiência concebido por seu antecessor no cargo, Martin Winterkorn, que caiu arrastado pelo escândalo, deverá ser revisto, mas que a VW tem como meta manter sua política de oferecer postos de trabalho “seguros e de qualidade”.

O executivo prometeu aos funcionários uma elucidação “rápida e sem pena” do escândalo da Volkswagen e acrescentou que os 11 milhões de veículos afetados pelas manipulações podem circular sem problemas, já que nunca representaram um risco à segurança dos consumidores.

Também na terça-feira, o presidente do comitê de fábrica da Volkswagen, Bernd Osterloh, informou aos funcionários da companhia de que o escândalo não terá “por enquanto” consequências para os postos de trabalho do grupo. “No momento, essa é a boa notícia, ainda não há consequências para os postos de trabalho”, declarou Osterloh, observando que o objetivo é “fazer todo o possível” para garantir todos os empregos.

A Volkswagen, dona da marca Seat, anunciou em maio que nos próximos cinco anos investiria 4,2 bilhões de euros (18,4 bilhões de reais) em suas duas fábricas espanholas, nas regiões de Navarra e Catalunha.

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