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Dieta mediterrânea e azeite de oliva reduzem risco de câncer de mama

Estudo com 4.000 mulheres indica a importância da alimentação para prevenir tumores

Empacotador de azeite virgem extra em uma fábrica de Jaén em 2014.
Empacotador de azeite virgem extra em uma fábrica de Jaén em 2014.

Uma dieta mediterrânea enriquecida com azeite de oliva extra virgem (até um litro por semana e por família) reduz em até 66% o risco de câncer de mama, segundo uma das conclusões do estudo Predimed (Prevenção com Dieta Mediterrânea) publicado hoje pela revista digital Jama Internal Medicine.

Entre 2003 e 2009, os pesquisadores acompanharam um grupo de 4.200 mulheres de 60 a 80 anos “com alto risco cardiovascular”. Elas foram divididas em três grupos. Um deles, o grupo-controle, devia seguir dieta mediterrânea; o segundo seguiu essa dieta acrescentando nozes e outras frutas secas; já o terceiro consumiu esses alimentos, reforçando-os com azeite extra virgem. A incidência de câncer de mama entre os dois primeiros grupos foi similar. Mas, no terceiro, foi 32% menor, segundo os autores.

O estudo Predimed estava voltado à prevenção da saúde, sobretudo a cardiovascular (infarto, acidente vascular cerebral), com a dieta mediterrânea. Mas sua importância, tanto em duração como em número de voluntários (mais de 7.000 pessoas acompanhadas durante uma década) fez dele uma referência em sua área, e permitiu a realização de subanálises, como está agora publicada, sobre outras patologias. “O principal indicador eram as doenças cardiovasculares; o câncer era secundário”, diz Miguel Ángel Martínez-González, da Universidade Navarra e coordenador do trabalho. Ele informa que a maior parte do financiamento do estudo veio do Instituto de Saúde Carlos III e que produtores de azeite, nozes, avelãs e amêndoas forneceram gratuitamente os complementos para os ensaios. “Era importante que o azeite fosse extra virgem, pois é o que tem mais polifenóis, substâncias com propriedades anticancerígenas e antiinflamatórias”, afirma o médico. “E como demos os produtos aos participantes, asseguramos que fossem de fato os produtos consumidos.”

Os autores reconhecem que há certas limitações no trabalho. A primeira, e mais importante, é que só foram diagnosticados 35 casos de câncer de mama. Isto faz com que qualquer pequena variação em sua distribuição entre os três grupos tenha muita importância estatística. Mas o médico explica que, segundo os dados atuais, a previsão era que ocorressem 41 casos nesse universo de mulheres, o que sugere um efeito protetor da dieta.

Outros indicadores do efeito protetor – inclusive quando se compara a dieta espanhola em geral com a de outros países – é que, nas estatísticas europeias, a Espanha e outros países do sul da Europa sempre tinham menos casos de câncer de mama. Há uma exceção: países do Leste Europeu que não seguem uma dieta mediterrânea, mas têm menos incidência de câncer de mama. (Bósnia, Moldávia e Ucrânia estão atrás da Grécia na lista, por exemplo). Mas o médico afirma que, na falta de estudos, é possível que esses países tenham um pior sistema de diagnóstico e de registro dos casos.

Para apoiar a relação entre o azeite de oliva extra virgem e a proteção contra o câncer de mama, Martínez-González usa outro exemplo. “A província de Jaén, principal produtora de azeite de oliva extra virgem, sempre registra as menores taxas [de câncer de mama] da Espanha.”

Os resultados devem ser verificados por estudos posteriores. Os pesquisadores do Predimed mantêm um controle sobre os voluntários que entrevistaram, o que permite o aumento da informação reunida, embora já não seja dentro de um estudo, diz o médico.

Um comentário editorial destacou as limitações do artigo: o baixo número de casos, o fato de que todas as participantes eram brancas e na pós-menopausa, não houve duplo-cego (todas sabiam o que ingeriam, ao contrário de estudos em que os voluntários não sabem se recebem tratamento ou placebo) e não houve sistematização nas mamografias, mas a conclusão é otimista: “Sabemos que a dieta mediterrânea, formada por muitos vegetais, peixe e azeite de oliva extra virgem, é segura e reduz o risco cardiovascular. Também pode prevenir o câncer de mama. Esperamos ver um maior interesse na dieta mediterrânea para prevenir as doenças cardiovasculares e o câncer e melhorar a saúde e o bem-estar”, assina Mitchell Katz.

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