FÓRMULA 1

Morre o piloto Jules Bianchi

Francês teve lesões cerebrais em grave acidente no ano passado no Japão

O piloto francês Jules Bianchi, durante uma entrevista.
O piloto francês Jules Bianchi, durante uma entrevista.Yuya Shino (REUTERS)

No começo desta semana, Philippe Bianchi se mostrava mais pessimista que nunca sobre a recuperação de seu filho Jules Bianchi, que estava internado num hospital em Nice (França), em coma, devido a lesões cerebrais provocadas pelo acidente que sofreu durante o Grande Prêmio do Japão, em outubro do ano passado. Cinco dias depois a família do piloto, de 25 anos, anunciou sua morte, ocorrida na noite desta sexta-feira, por meio de um comunicado que desencadeou uma avalanche de reações na comunidade mundial do esporte, especialmente do esporte a motor.

“Jules lutou até o fim, como sempre fez, mas hoje sua batalha chegou ao fim. Sentimos uma dor imensa e indescritível”, dizia a nota.

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A morte de Bianchi é a primeira em 21 anos relacionada diretamente à realização de uma prova do Mundial, depois da morte de Ayrton Senna, em 1994, durante o GP de San Marino (em Ímola).

Corredor passou mais de nove meses em coma e estava internado em hospital na França

Passados quase 10 meses daquele trágico domingo, ainda há perguntas sem resposta. Os fatos estão mais do que claros, mas mesmo assim muitas pessoas têm a sensação de que alguma coisa ou alguém errou. A comissão de especialistas criada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para identificar as responsabilidades concluiu que a culpa pelo acidente foi do próprio Bianchi, que perdeu o controle do seu Marussia e bateu num guindaste que estava numa área de escape do circuito de Suzuka para retirar da pista o Sauber de Adrian Sutil. No momento do impacto ele estava a cerca de 150 quilômetros por hora, e segundo o relatório da FIA, o corredor “não freou o suficiente” para evitar a saída.

Espanta, de qualquer modo, que a comissão que analisou o caso seja constituída pela mesma entidade que, teoricamente, deveria ser investigada. Em razão do acidente, a FIA criou o safety car (carro de segurança) virtual, um procedimento para limitar ao máximo uma situação parecida no futuro.

Com o francês parte um dos maiores talentos dos últimos anos na F-1, como reconheceram ao longo dos últimos meses os que foram seus rivais nas pistas. Nascido em Nice em 3 de agosto de 1989, estreou na F-1 em 2012 como piloto de testes da Force India. Sua condição de membro da Ferrari Academy abriu as portas para sua entrada no Mundial em 2013, na Marussia. Com esta equipe disputou 34 grandes prêmios, conseguindo em Mônaco os dois primeiros pontos da história da escuderia.

Bianchi parecia destinado a se tornar um dos grandes astros da F-1. Como acontece com a maioria de seus pares, as primeiras voltas na pista foram feitas num kart, quando tinha três anos. Competiu no kart até 15 anos, quando conheceu Nicolas Todt, agente de pilotos e filho do presidente da FIA. Começou então a pilotar carros de fórmula. Foi campeão da Fórmula Renault 2.0 na França (2007) e da F3 Euroseries (2009). Também disputou a GP2 e a World Series antes de chegar à F-1. Quando aquele maldito guindaste cruzou seu caminho já se falava numa possível contratação pela Sauber, para a temporada de 2015.

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