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O vídeo pornô amador que o Governo chinês não conseguiu censurar

Casal se grava fazendo sexo em provador da famosa rede japonesa de lojas Uniqlo

China bloqueia o conteúdo porque atenta contra os “valores socialistas essenciais”

Reprodução do vídeo que 'bombou' na China.
Reprodução do vídeo que 'bombou' na China.

Um vídeo de um casal que se gravou fazendo sexo na semana passada dentro de um provador de roupas da Uniqlo (rede de lojas japonesa) em Sanlitun, uma das áreas mais populares de Pequim (China), se transformou no assunto favorito dos internautas do gigante asiático. A gravação dura pouco mais de um minuto e nela se pode ver um casal jovem mantendo uma relação sexual ao mais puro estilo pornô amador. Ao fundo, escuta-se o barulho da popular loja de roupa e a localização da mesma.

Esse fenômeno viral cumpriu à risca o padrão de outros casos censurados anteriormente na internet chinesa: o vídeo foi postado na terça-feira à noite no Weibo, o Twitter chinês. A disseminação do mesmo o levou aos trending topics do serviço. Quando as autoridades souberam, o protocolo de censura entrou em operação e tudo relacionado à notícia foi desaparecendo pouco a pouco das redes do país. No entanto, quando se faz uma busca no Weibo, ainda continuam aparecendo posts sobre o assunto (parece que a Administração para o Ciberespaço da China, CAC, voltou a fazer o mesmo; primeiro proíbe, depois vê a resposta social e, no fim, retira as proibições, com certas restrições).

A notícia do vídeo pornográfico nos meios chineses.

A empresa japonesa Uniqlo, que foi acusada por muitos usuário de estar por trás do vídeo, publicou um comunicado se desvinculando: “Negamos firmemente algumas das alegações online que dizem que o vídeo é um golpe de marketing”. Para depois acrescentar que “gostaríamos de lembrar ao público que mantenha a moral social e use nossos provadores de uma maneira apropriada e correta”. Enquanto isso, a loja de roupa localizada em Salintum se transformou em um centro de peregrinação para turistas e demais curiosos.

Internauta posta foto no Weibo imitando o pornô amador.
Internauta posta foto no Weibo imitando o pornô amador.

O The Global Times, um dos jornais controlados pelo Partido Comunista chinês, se pronunciou sobre o tema no editorial de quinta-feira. Sob o título “o vídeo sexual na Uniqlo reflete a natureza fofoqueira da interne moderna”, o artigo afirmava que “os usuários preferem criar novas e estranhas expressões e contar histórias inesperadas e excêntricas. Parece que a internet chinesa entrou na ‘era do rumor’”. O fato já tem inclusive sua própria página na Wikipedia (em chinês), perfeitamente documentada.

As autoridades chinesas chamaram a atenção dos responsáveis pelas grandes redes sociais do gigante asiático, Weibo e Tencent, por não atuarem de forma imediata contra a disseminação do vídeo na internet. O incidente, que deixou o Partido Comunista bastante nervoso, demonstra que nenhum sistema de censura é infalível.

 A grande maioria dos veículos de comunicação internacionais repercutiu a notícia. The New York Times, The Guardian, Mashable... todos os grandes anglo-saxões contaram a história, dando mais ênfase na postura das autoridades chinesas do que na postura do casal protagonista do vídeo. Muitos desses veículos publicaram reportagens relacionando o fato com as inquietudes sexuais dos jovens chineses. O The Guardian publicou na sexta-feira reportagem sob o título: “Os jovens chineses falaram. E o que eles querem é sexo”.

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