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Morre Alcides Ghiggia, herói do ‘Maracanazo’ na Copa de 1950

Falece aos 88 anos um dos últimos sobreviventes do lendário triunfo contra o Brasil

Ghiggia marca contra o Brasil na final de 1950. AP

Na quinta-feira, 16 de julho, exatamente 65 anos depois do Maracanazo, faleceu Alcides Edgardo Ghiggia de parada cardíaca, aos 88 anos de idade. O jogador entrou para a história no 34o minuto da final da Copa de 1950, quando, contra todos os prognósticos, os uruguaios se impuseram diante do anfitrião Brasil em uma partida dramática realizada no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

A derrota do Maracanazo ainda persegue os brasileiros como uma maldição e constituiu um ato fundacional para o Uruguai, que, apesar de sua pequena população (3,3 milhões de habitantes), tem em seu panteão a vitória de duas Copas e 15 Copas América.

Ghiggia conseguiu marcar o gol de desempate da partida contra o Brasil, mergulhando os brasileiros em um profundo silêncio que ainda é lembrado como um momento especialmente dramático.

Alcides Ghiggia en la final de Brasil 1950 ampliar foto
Ghiggia faz o gol ganhador da final contra o Brasil em 1950. AP

“Apenas três pessoas na história conseguiram calar o Maracanã com um único gesto: o Papa, Frank Sinatra e eu”, repetiu durante a vida toda o atacante de uma seleção mítica, que depois de sua façanha jogou na Itália e logo voltou a seu país para fazer parte dos clubes Peñarol e Danubio.

Em seus últimos anos, Ghiggia morava na localidade de Las Piedras, no estado de Canelones, onde gerenciava um modesto supermercado. Suas aparições públicas eram frequentes e ia assistir jogos no Estádio Centenário de Montevidéu, onde sempre era aclamado pelo público como herói.

Alcides Edgardo Ghiggia será velado nesta sexta-feira no Salão dos Passos Perdidos do Palácio Legislativo de Montevidéu, o lugar onde, no Uruguai, a população se despede dos grandes homens e mulheres de sua história. A Associação Uruguaia de Futebol (AUF) anunciou em um comunicado a suspensão de todas as suas atividades na sexta-feira, sábado e domingo em sinal de luto.

Menos de uma hora depois de se divulgar a notícia da morte de Ghiggia, a Confederação Brasileira de Futebol emitiu um comunicado expressando “sua solidariedade aos irmãos uruguaios”.

“Ghiggia se notabilizou pelo desempenho em campo e extremo respeito pela tristeza do povo brasileiro com a derrota em 50. Hoje, o futebol do mundo todo chora sua partida”, acrescentaram os responsáveis pelo futebol brasileiro.

O ex-presidente José Mujica afirmou que “o nome de Ghiggia será inesquecível” porque “não há dúvida de que esse gol marcou a maior façanha esportiva da história do Uruguai e provavelmente o maior feito que poderia ter sido escrito”.

O Senador Mujica lembrou que ouviu a final da Copa do Mundo de 1950 em “um velho rádio Edison, daqueles móveis quadrados grandes com lâmpada” e que enquanto a partida transcorria “estava praticamente dentro do rádio”.

“Todo o Uruguai estava vibrando e saímos como loucos pelas ruas. Nunca vi tanta explosão e alegria na sociedade uruguaia; talvez quando a ditadura acabou, mas nunca vi tanta alegria em um povo”, disse o ex-presidente do Uruguai ao Montevideo Portal.

Eduardo Ache, presidente do Nacional, uma das principais equipes de futebol do Uruguai, afirmou que Ghiggia demonstrou “que no futebol tudo é possível, que não há grandes e pequenos, que com esforço e sacrifício é possível ganhar”.

“Nem o melhor diretor de cinema poderia ter pensado nesse desfecho para o fim do filme Maracanazo. Dos 44 jogadores daquele dia 16 de julho, 22 estavam no campo e 22 no banco, e o único sobrevivente desse grupo de homens era ele. Justamente ele, o melhor jogador desse Mundial, porque foi o único que marcou gols nas quatro partidas disputadas pelo Uruguai. Então Ghiggia morre em um aniversário redondo, 65 anos depois daquele gol histórico, ficando para sempre ligado a esse feito”, afirma o escritor Atilio Garrido, autor de Maracaná, la historia secreta.

Para Garrido, o jogador faz parte de uma genealogia de jogadores uruguaios que desde 1900 triunfaram nos campos de futebol, até chegar a homens como Luis Suárez e Edinson Cavani.

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