Brasil derrota a Espanha e avança para as oitavas de final do mundial

Com gol antes do intervalo a seleção brasileira acordou e dominou o resto da partida

Andressa e Marta comemoram gol do Brasil.
Andressa e Marta comemoram gol do Brasil. ANDRE PICHETTE (EFE)

Uma Espanha sem remorsos caiu com todas as honras. De mais a menos, deu tempo de tudo para a seleção: dominar o todo-poderoso Brasil, aceitar um gol quando estava melhor em campo, sofrer com a superioridade do rival e, com caráter e orgulho, chegar perto de um empate quando não poderia conseguir nada mais. Apenas um ponto em duas partidas, o que complica a classificação que será decidida no último jogo, na quarta-feira, contra a Coreia do Sul. Assim, por 1 a 0, a seleção brasileira avançou para as oitavas de final da Copa do Mundo 2015.

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A experiência de Ignacio Quereda contra a Costa Rica não deu certo, e o técnico percebeu. A Espanha veio com uma fome descomunal. Tanto que quem parecia ser um time novato, em alguns momentos, era o Brasil. Fiel ao seu estilo, La Roja ficou com a bola e mastigou as jogadas com a solvência de uma equipe veterana. A seleção brasileira não era a equipe que busca todas as honras neste Mundial: sem rastro do paradeiro de Marta e suas cinco Bolas de Ouro e pouco de Formiga, a extraordinária meia de 37 anos, com um carretel infinito de jogadas.

As mudanças no time titular conectaram a Espanha. Principalmente pela presença de Virginia Torrecilla, extraordinária meia, o muro e o motor da equipe. A melhor da partida. Diante do olhar atônito do Brasil, a mallorquina antecipou-se a tudo e sempre tinha uma oração subordinada ao discurso da Espanha para oferecer. Foi auxiliada pela veloz Marta Corredera, um pesadelo para Fabiana, um martelo incansável para a zaga adversário. Dois talentos descomunais, duas jogadoras brilhantes que deixarão o Barcelona, atual campeão, na próxima temporada. O Campeonato Espanhol ficou pequeno para elas.

Com o gol de Andressa Alvez antes do intervalo, o Brasil acordou e dominou o resto da partida

Natalia Pablos teve a primeira chance clara de gol. A atacante do Arsenal voltou à ponta, sua posição natural, e a Espanha melhorou com a mudança. Alexia mandou-lhe um lançamento, e a madrilena lidou bem com Luciana. Seu chute foi desviado. A superioridade espanhola traduziu-se em nervosismo no rival. A ponto de Rafaelle quase marcar contra depois do enésimo cruzamento de Marta Corredera. Mas quando mais dificuldades eram impostas, quando mais algemado sentia-se o Brasil, Andressa Alves deu a resposta, a dois minutos do final do primeiro tempo. Ganhou na corrida da defesa rival, aproveitou uma saída de gol ruim de Ainhoa, e com a ponta da chuteira mandou a bola ao gol vazio. Celia correu e conseguiu alcançar a bola, mas seu corte forçado em cima da linha deu uma nova oportunidade à atacante, que desta vez não falhou. Um erro que anulou uma primeira etapa de museu.

Com o gol antes do intervalo, o Brasil acordou e dominou o resto da partida. Ficou mais com a bola, enquanto a Espanha pagou pelo grande esforço dos primeiros 45 minutos. Apostou tudo no começo exuberante, mas se saiu mal. A equipe de Vadão colocou a máquina em funcionamento desde o começo, com chances de Andressa, Marta e Formiga. Também intensificou a pressão, enquanto a Espanha rachava.

Brasil 1 x 0 Espanha

Brasil: Luciana; Fabiana (Poliana, min. 77), Monica, Rafaelle, Tamires; Andressinha, Thaisa (Darlene, min. 60), Formiga; Andressa, Cristiane (Fernandes, min. 89) e Marta.

Espanha: Ainhoa Tirapu; Celia Jiménez, Marta Torrejón, Irene Paredes, Leire Landa; Vicky Losada, Virginia Torrecilla (Sonia Bermúdez, min. 77), Vero Boquete; Alexia Putellas, Natalia Pablos (Silvia Meseguer, min. 71) e Marta Corredera (Priscila Borja, min. 70).

Gol: 1 x 0. Andressa, min. 44. Andressa chuta após Celia salvar em cima da linha.

Arbitragem: Carol Anne Chenard (Canadá). Deu amarelo para Leire Landa Fernandes.

Estádio Olímpico de Montreal.

O Brasil ficou reconhecível, Marta começava a gostar do jogo e executou uma maravilhosa “roleta”. Andressa, por sua vez, exigiu de Ainhoa a melhor defesa da noite. A goleira falhou no gol brasileiro, mas se redimiu com um lindo pulo para bloquear a escanteio o chute potente da brasileira. Sobrou para a Espanha tirar forças da fome e dessas coisas intangíveis, com o pouco de energia que sobrou. Natalia quase marcou ao finalizar um cruzamento de Priscila Borja, que havia entrado no lugar de Corredera. Também entraram Meseguer e Sonia. A partida ficou aberta, e apareceu Vero Boquete, inconstante no Canadá. A capitã recebeu uma grande assistência de Sonia, cortou e, quando estava prestes a cometer o crime, apareceu Tamires para roubar a bola. Irene, em seguida, trombou com a trave. Não era o dia. Nem parece que seja o Mundial.

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