Copa América

Chile estreia sem brilho, mas vence o Equador

Equipe de Sampaoli supera (2 x 0) um adversário que soube impor seu preparo físico

Vidal celebra seu gol de pênalti
Vidal celebra seu gol de pênalti (Efe)

A festa da bola nas Américas começou com vitória da seleção anfitriã. A população de Santiago acordou mais cedo na quinta-feira para poder encerrar o expediente antecipadamente e encorpar a maré vermelha que tomou as imediações do Estado Nacional. Quando teve início a cerimônia de abertura da 44ª edição da Copa América, milhares de torcedores ainda faziam fila para entrar, e muitos permaneciam ali 20 minutos depois, quando os fogos de artifício marcaram o início oficial do torneio.

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A cerimônia começou com uma recriação em vídeo da capital chilena, em que um cidadão, no meio da rua, encontra uma bola e começa a dominá-la. Um chute dele dá início a uma viagem mágica pelos 12 países participantes, na companhia de uma espetacular equipe de acrobatas e dos efeitos luminosos dirigidos pelo espanhol Hansel Cereza, fundador da trupe catalã La Fura dels Baus. Concluído o espetáculo, a presidente chilena, Michelle Bachelet, com seu melhor semblante, anunciou o início oficial do evento. “Esta é uma festa do Chile e da América”, afirmou.

Com a bola rolando, os dez primeiros minutos deram uma impressão enganosa: com Alexis como centroavante único e Valdivia explosivo na armação, o Chile teve pelo menos duas chances de abrir o placar. O mago deu uma aula compacta de futebol, mas que terminou antes do desejado (como infelizmente costuma ser habitual, aliás). Passados alguns minutos, o Equador se recompôs, confiando na velocidade de Jefferson Montero e na rápida mobilização dos seus centroavantes para escapar do papel teórico de vítima – afinal, esse é o time que o Chile mais vezes derrotou e no qual mais tentos anotou na história da Copa América.

Aos 21 minutos, Bravo precisou fazer sua primeira intervenção. Não seria a última. Vidal, com dores no quadril, tentava aparecer de surpresa como segundo atacante, mas os homens de Gustavo Quinteros já haviam se fechado na retaguarda. Díaz se transformou no motor da equipe quando Valdivia diminuiu o ritmo, bem protegido pelo discreto e sólido Aránguiz. O Chile dominava a bola, como gosta, mas jogava horizontalmente. No intervalo, chegava à preocupante marca de apenas um gol em três partidas e meia. Sampaoli então voltou ao seu libreto inicial.

No segundo tempo, colocou Vargas, seu atacante-fetiche (mas na reserva por causa da sua forma física insuficiente). Com dois atacantes em campo, o Chile recuperou o esquema dos dois últimos anos, sem no entanto conseguir se aproximar do arco de Domínguez – apesar de contarem com o talento imprevisível de Sánchez. A torcida se calou, pois via a disputa se equilibrar definitivamente, e alguns se perguntavam o que seria da partida se o Equador pudesse ter contado com Antonio Valencia e Felipe Caicedo.

O Chile continuou pressionando, mas sem agressividade, com um Alexis desesperado para desequilibrar a balança e decidir o jogo. Aos 20 minutos do segundo tempo, um pênalti absurdo de Miller Bolaños em Vidal foi convertido pelo próprio meia da Juventus, liberando o primeiro grito coletivo de gol da competição. (Ao final, ele seria eleito o melhor em campo, discutivelmente.) Três minutos depois, ainda em meio à euforia, Matías Fernández substituiu o cansado Valdivia. Aos 29, levou um amarelo por simular pênalti; aos 48, foi expulso ao receber o segundo cartão, e a noite terminou mal para ele.

Nos 30 minutos finais da partida, o Equador valeu-se do seu preparo físico e meteu medo na torcida local. O Chile não tinha o controle da partida. Da arquibancada, era possível escutar as vozes dos jogadores. Então, num desses minutos bipolares aos quais o futebol é tão propenso, Enner Valencia cabeceou a bola no travessão, com Bravo batido, e na jogada posterior Alexis conduziu a bola pelo centro e tocou magistralmente para Vargas, que arrematou de canhota.

O jogador do QPR inglês se reconciliava com o gol depois de uma temporada com poucos minutos em campo. Confirmava assim sua condição de maior artilheiro (17 gols) na era Sampaoli. O resultado garantiu uma noite festiva em Santiago e obriga o Equador a vencer duas partidas possíveis, contra a Bolívia e a equipe reserva do México. Poderia ter feito mais, mas cometeu um pênalti desnecessário e decisivo. Como em 2007 e 2011, o Chile começa a Copa América com uma vitória.

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