O diretor do EL PAÍS, no Facebook: “Devemos ouvir os leitores”

Antonio Caño conversou com os leitores através da página do jornal na rede social

Antonio Caño, em seu escritório do EL PAÍS em Madri.
Antonio Caño, em seu escritório do EL PAÍS em Madri.CRISTÓBAL MANUEL

O diretor do EL PAÍS, Antonio Caño, frisou na quarta-feira durante um encontro digital através da página do jornal no Facebook que ouvir os leitores é “um ato de humildade e realismo que todos os jornalistas devem fazer”. “É uma experiência fantástica e garanto que não será a última vez que respondo perguntas aqui. Outros jornalistas do jornal também estarão a partir de agora nessa rede social para falar com vocês”, disse. Caño é o primeiro diretor de um jornal espanhol a conversar com os leitores através dessa plataforma, a de maior penetração global e na qual o EL PAÍS tem 1,7 milhão de seguidores.

Durante a hora em que respondeu aos leitores, o diretor do jornal global em espanhol falou sobre a digitalização total do EL PAÍS, objetivo que ele chamou de “principal” e frisou que a edição impressa do jornal se encontra em um “processo de adaptação” à realidade digital. “O EL PAÍS é hoje, principalmente, um jornal digital. Ou, dito de outra forma, é um jornal digital que conta com o magnífico complemento de uma edição impressa”. Em março, o site do EL PAÍS registrou 15,2 milhões de usuários únicos, 21% a mais do que em fevereiro, dado que o coloca na liderança dos jornais do mundo de língua espanhola.

Caño também defendeu que os redatores conheçam os dados do tráfego de suas informações, uma ferramenta que o The New York Times e o The Washington Post logo colocarão em prática e que o The Atlantic já utiliza. “Ajuda a conhecer o que os leitores estão lendo, mas em nenhum caso isso deve determinar sobre quais temas iremos escrever”.

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Ao ser perguntado sobre a atenção informativa que o jornal líder em espanhol dedica à Venezuela, o diretor do EL PAÍS frisou que o jornal “mostrou o mesmo interesse, por exemplo, pela cobertura da situação de segurança e direitos humanos no México”. “Sobre a matança de Iguala, por exemplo, publicamos dezenas de artigos e investigações, e exigimos em nossos editoriais que o Governo assuma a responsabilidade. Continuaremos fazendo o mesmo no futuro”, enfatizou Caño, ao lembrar que o EL PAÍS “pretende acompanhar os países da América Latina em sua modernização e regeneração democrática”. “No passado, estivemos ao lado dos países que suportaram ditaduras militares e queremos agora estar na defesa do respeito às liberdades em todos os países”.

Ao falar sobre outros assuntos, Caño respondeu que o EL PAÍS “publicou amplamente nos últimos meses notícias sobre o debate catalão, tentando abranger os pontos de vista de todas as partes”. “Nossa linha editorial é que a Catalunha faz parte da Espanha e deveria continuar assim no futuro, em benefício da Espanha e da Catalunha”, acrescentou. “O EL PAÍS é um jornal defensor das liberdades e do progresso, em todos os âmbitos”.

O diretor do EL PAÍS lembrou que todas as informações publicadas são submetidas “aos mais altos” controles de qualidade e rigor e apelou a todos os leitores para que se aproximem do jornal “sem preconceitos e sem suspeitas”. “Me fale do que você não gosta e tentaremos melhorá-lo”, pediu a um deles. Caño também lembrou que o jornal que ele dirige é o único da Espanha que tem uma Defesa do Leitor.

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