_
_
_
_

Autoridade espanhola que matou a mulher poderá ser julgada no Brasil

Jesús Figón, conselheiro de Interior da embaixada, perdeu sua imunidade diplomática Foi liberado após confessar o crime, mas agora poderá ser processado no país

Miguel González
Jesús Figón, em uma foto de 2004.
Jesús Figón, em uma foto de 2004.Jeffrey Arguedas (EFE)

Dito e feito. O Ministério de Relações Exteriores da Espanha não perdeu nenhum minuto para suspender a imunidade diplomática do delegado Jesús Figón, conselheiro de Interior da Embaixada da Espanha no Brasil, assassino confesso de sua esposa. As autoridades brasileiras solicitaram na quarta-feira que a Espanha renunciasse aos privilégios concedidos pela Convenção de Viena, pelos quais o policial não poderia ser preso nem julgado no Brasil. A Embaixada espanhola, segundo fontes diplomáticas, já respondeu com nota verbal ao Ministério de Relações Exteriores brasileiro na qual comunicava a suspensão da imunidade diplomática, para que o delegado responda pela morte da esposa no país. Com a decisão, Figón poderá ser investigado, processado e julgado pelas autoridades brasileiras.

O ministro de Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, havia anunciado nesta quarta-feira que a Espanha suspenderia tal imunidade caso fosse confirmado que se tratava de um caso de violência machista. “A imunidade diplomática nunca pode servir como álibi para fatos tão graves como a violência machista”, declarou Margallo, em Valência.

Mais informações
Funcionário espanhol que matou mulher pode perder imunidade
Autoridade da embaixada da Espanha se entrega após matar mulher
Brasileira é nova vítima de violência doméstica na Espanha
Um mapa aponta os lugares mais perigosos para as mulheres no Brasil
Uma em cada três mulheres foi agredida por seu parceiro na América Latina
Os 90 minutos fatais para uma mulher
O lento caminho das latino-americanas rumo à igualdade

O delegado do Corpo Nacional de Polícia, Jesús Figón, foi libertado na terça-feira pela tarde depois confessar ter matado sua esposa, Rosemary Justino Lopez, de 50 anos, de nacionalidade brasileira. O policial morava em Brasília, onde exercia suas funções, mas viajava com frequência à Vitória, capital do Espírito Santo, onde tinha um apartamento, onde o crime ocorreu.

O delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Mulher de Vitória declarou ao jornal O Globo que Figón disse ter agido em legítima defesa. “Ele contou que a mulher sofria de depressão. Ela perdeu um filho e toda vez que se aproxima a data da morte ela tinha uma recaída. Falou que ela era alcóolatra, ontem [segunda-feira] fez excessiva ingestão de álcool e na madrugada teve uma discussão. Ele nos relatou que ela partiu para cima dele com uma faca, ele tomou a faca e efetuou os golpes.”

Segundo esse porta-voz, Figón foi libertado por ter confessado o crime voluntariamente, além de ter imunidade diplomática, mas que estava “à disposição das autoridades brasileiras”, à espera da definição se a Espanha ia assumir o caso ou deixar nas mãos dos tribunais brasileiros. Depois de permanecer sob custódia policial por 12 horas, Figón passou a noite da terça-feira em um hotel em Vitória, a cerca de 1.250 quilômetros da capital federal.

O delegado, de 64 anos, estava com Rosemary, a quem conheceu na Espanha, há 30 anos. Ambos tinham uma filha, enquanto ele tinha três filhos de um casamento anterior. Começou a trabalhar na Embaixada de Brasília em 2012 e estava a ponto deixar o posto, já que sua vaga havia sido disponibilizada para concurso. Anteriormente havia sido delegado-chefe de Alcalá de Henares (Madri), entre outros locais.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_