Crime em Vitória

Autoridade da embaixada da Espanha se entrega após matar mulher

Jesús Figón é conselheiro de Interior da representação espanhola em Brasília Possui imunidade diplomática e não ficará detido

Jesús Figón, em imagem de um vídeo policial de 2009.
Jesús Figón, em imagem de um vídeo policial de 2009.

O conselheiro de Interior da Embaixada da Espanha em Brasília, o delegado do Corpo Nacional de Polícia Jesús Figón, procurou às 8h30 da manhã nesta terça-feira a Polícia Civil em Vitória, no Espírito Santo, para confessar ter matado sua mulher, de nacionalidade brasileira, segundo contou o delegado Abraldo Lopez, que recebeu o caso. A vítima se chamava Rosemary Justino Lopes, tinha 50 anos e estava casada há quase 30 com Figón.

Jesús Figón está no Brasil há dois anos e oito meses e desempenhava a função de conselheiro de Interior na embaixada espanhola, pela qual tem imunidade diplomática. Por isso, segundo o delegado Lopez, Figón não ficou detido.

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Embora Figón residisse em Brasília, onde se localiza a missão diplomática, o assassinato do qual é acusado aconteceu em seu apartamento em Vitória, capital do Espírito Santo. Este veterano delegado de 64 anos tem vários filhos e por estes dias estava de férias no lugar em que vivia sua mulher. Segundo contou a polícia, a vítima tentou atacá-lo com uma faca durante uma discussão e que ele agiu para se defender. Rosemary levou, no entanto, "cinco ou seis" facadas de seu marido, segundo as mesmas policiais. 

O conselheiro passou o dia declarando voluntariamente na delegacia da Polícia Civil de Vitória, mas não foi preso por possuir imunidade diplomática. Seu depoimento ao delegado Lopes tampouco pode ser considerado oficial. Ficou em liberdade, a espera de que as autoridades formalizem um inquérito contra ele. O processo é lento e burocrático: a Polícia Civil de Vitória tem que enviar o caso documentado a vários organismos (Polícia Federal, Itamaraty, Interpol, Embaixada da Espanha, entre outros), que ficarão responsáveis de investigá-lo. Poderão encaminhar o caso a um juiz brasileiro, mas o mais provável, segundo as mesmas fontes policiais, é que este reenvie o caso a Embaixada espanhola, para que Figón finalmente seja julgado na Espanha.

Antes de fazer parte de representação espanhola no Brasil, Figón foi delegado-chefe de Alcalá de Henares, (província de Madri). Como conselheiro, era responsável pelos contatos entre os dois países para combater redes de imigração ilegal, tráfico de drogas e crime organizado, entre outras tarefas. O Escritório de Informação Diplomática (OID, na sigla em espanhol) não quis fazer nenhum comentário sobre sua prisão, adiantada pelo diário El Confidencial, enquanto fontes diplomáticas destacaram a confusão que envolve o fato, que aconteceu longe de Brasília.

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