Professores no Paraná

Milhares protestam pela saída do secretário de Segurança do Paraná

Após repressão a atos de professores na quarta, manifestantes querem também a renúncia do secretário de Educação

Milhares de pessoas protestam nesta terça, em Curitiba.
Milhares de pessoas protestam nesta terça, em Curitiba.PAULO LISBOA (ESTADÃO CONTEÚDO)

Depois da repressão da polícia aos atos contra professores na última quarta-feira, que feriu centenas de vítimas, um novo protesto de servidores estaduais foi convocado para esta terça-feira, em Curitiba. Desta vez os manifestantes, liderados por profissionais da educação, pedem a saída do secretário da Segurança, Fernando Franceschini, e da Educação, Fernando Xavier Ferreira. Entoando coros como "eu quero ver, se vai cair, o secretário que mandou nos agredir!", "Sr. Traiano [Ademar Traiano, presidente da Assembleia], eu tô na rua, para dizer que a Assembleia não é sua", o grupo começou a se concentrar na praça 19 de dezembro às nove da manhã. A caminhada rumo à Assembleia, no Centro Cívico da cidade, onde ocorreram as agressões aos manifestantes no último dia 29, reúne entre 10.000 (segundo a PM) e 25.000 pessoas (segundo os organizadores).

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A ação policial ocorreu quando professores e servidores estaduais protestavam contra a votação da mudança na previdência estadual que tiraria benefícios dos funcionários públicos, segundo os manifestantes. A Assembleia foi cercada por uma grade, e alguns manifestantes mascarados tentaram derrubá-la, o que provocou a reação da polícia por uma hora ininterrupta.

Os manifestantes de hoje ocuparam as ruas em solidariedade aos 217 feridos por estilhaços de bombas, balas de borracha, agressões à cassetete, jatos de água, de gás lacrimogênio, sprays de pimenta e até mesmo por mordidas de cães da raça pitbull, utilizados pelos policiais na ação. O governador Beto Richa também foi alvo dos protestos. "O Beto vai ganhar uma passagem pra sair do Paraná, não é de carro nem de trem nem de avião, é com os deputados, no camburão. Fora Beto ladrão!" No último domingo, durante a final do campeonato paranaense de futebol, 25.000 torcedores gritaram em coro “Fora Beto Richa”, em solidariedade aos professores.

Para o presidente do Associação dos Professores do Paraná (APP) Sindicato, Hermes Silva Leão, a permanência de Franceschini no cargo é insustentável. “É inadmissível que um secretário de Segurança que defenda a ação violentíssima, vista pelo mundo todo na quarta-feira passada, continue no cargo”. A ação da polícia foi criticada pela Anistia Internacional, que foi classificada pela entidade como “uma agressão à liberdade de expressão e ao direito à manifestação pacífica”. Ele também pede a queda do atual responsável pela pasta de educação no Estado. “É um homem despreparado, de perfil técnico, que está a quatro meses falando de cortes sem nenhum olhar pedagógico, e se recusa a debater com movimentos e sindicatos. Estamos abrindo campanha pela queda de ambos, e não aceitaremos bodes expiatórios”, declarou ao EL PAÍS.

Nesta tarde, uma nova assembleia geral do APP Sindicato, entidade representativa dos funcionários da rede pública de ensino, decidiu manter a greve, que já dura nove dias. A ação policial no Paraná ganhou repercussão internacional e tornou-se fonte de desgaste para a popularidade e para a imagem do governador tucano Beto Richa.