Economia norte-americana

Desemprego nos Estados Unidos cai a 5,5%, a menor taxa desde 2008

Euro despenca em relação ao dólar após a divulgação do dado sobre a geração de postos

Feira de empregos em Princeton (Illinois), em janeiro.
Feira de empregos em Princeton (Illinois), em janeiro.Daniel Acker (Bloomberg)

A geração de empregos se manteve robusta nos Estados Unidos, apesar dos efeitos das nevascas, das demissões no setor energético e do impacto da valorização do dólar sobre os exportadores. A economia norte-americana criou 295.000 novos postos de trabalho em fevereiro, ampliando o saldo positivo de janeiro, que havia sido de 239.000. O índice de desemprego, por sua vez, caiu 0,2 ponto percentual, ficando em 5,5%, menor nível desde meados de 2008. A solidez desse dado poderia levar o Federal Reserve (banco central norte-americano) a elevar os juros em junho, pela primeira vez em nove anos. Assim que o novo dado foi divulgado, o dólar passou a registrar uma forte valorização em relação ao euro. A moeda europeia chegou a ser cotada a 1,087 dólar, menor valor em quase 12 anos.

A primeira leitura para o mês passado está claramente acima do que Wall Street esperava. O consenso de mercado antevia a geração de 240.000 empregos e um desemprego com queda de 0,1 ponto, em 5,6%. O indicador de janeiro ficou abaixo do esperado, e os 329.000 novos empregos de dezembro foram mantidos. Com isso, os EUA geraram em média 266.000 novos postos de trabalho por mês durante o último ano.

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A taxa de desemprego está a apenas meio ponto de uma situação de pleno emprego. A desocupação afeta 8,7 milhões de pessoas, ou 1,7 milhão a menos do que há um ano. Do total atual, 2,7 milhões são desempregados crônicos. A taxa de participação no mercado de trabalho se mantém em 62,8%. O desemprego chega a 11% se forem somados 6,6 milhões de norte-americanos forçados a trabalhar em tempo parcial e 2,2 milhões que não procuram emprego ativamente.

O dado sobre emprego em fevereiro é de grande interesse para a reunião do Fed em 17 e 18 de março. A atenção estará voltada a uma palavra do comunicado final: paciência. Se a referência a ela for eliminada, é muito provável que o banco central dos EUA decida pela elevação da taxa de juro em junho, o que provocou a baixa do euro a 1,088 dólar. Além disso, serão apresentados dados atualizados das previsões econômicas e haverá uma coletiva de imprensa com Janet Yellen.

Na véspera foi publicada a evolução da taxa de produtividade no quarto trimestre de 2014. O indicador registrou baixa de 2,2% entre outubro e dezembro. Para o ano, o aumento médio foi de apenas 0,7%. Isso, segundo os economistas do Fed, explica em grande parte por que a economia dos EUA continua crescendo abaixo de seu potencial, seis anos depois da crise.

O Livro Bege do Fed, sumário de informações econômicas publicado na quarta-feira, confirmou que a atividade econômica continua em expansão no início de 2015, apesar das contínuas nevascas no Norte do país. O baixo preço da energia tem efeito positivo sobre o consumo, embora afete as regiões produtoras de petróleo. Além disso, o dólar forte prejudica empresas exportadoras.

Como Yellen indicou na semana passada durante exposição no Congresso dos EUA, o relatório que o Banco Central usará em sua próxima reunião não mostra risco pelo lado da inflação. A maioria dos distritos (as 12 divisões regionais do banco central) fala em ligeiros aumentos de preços. O mesmo para o lado dos salários, no qual a pressão de alta é moderada. O aumento dos salários foi de 2% durante o último ano.

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