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Quanto custa ganhar um Oscar?

Os méritos dos indicados já foram cantados, e o que conta são os prêmios acumulados

Uma cena de “Birdman”. Ampliar foto
Uma cena de “Birdman”. AP

Chegado este momento na disputa pelos Oscar, tudo se traduz em números. A 87ª edição dessa estatueta tão valorizada não é diferente. Cantados os méritos de todos os indicados, na reta final o que conta são os prêmios acumulados. E, nesse quesito, Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância tem o suficiente para ganhar. Não apenas por ter sido indicado em mais categorias – nove, empatado com O Grande Hotel Budapeste --, mas pelos prêmios já recebidos. Tanto o Sindicato de Atores quanto a associação dos Produtores e o sindicato de Diretores optaram pelo filme de Alejandro González Iñárritu.

Desde 2007, todos os filmes que receberam o prêmio dos produtores levaram o ouro nos Oscar. E, em 67 anos de história, o escolhido do sindicato de diretores levou a cobiçada estatueta. Diante disso, e com a certeza de J.K. Simmons, Julianne Moore e Patricia Arquette são vencedores certeiros dos Oscar de melhor ator coadjuvante, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante, respectivamente, Neal Patrick Harris terá que se desdobrar como apresentador para manter o interesse pela retransmissão de uma cerimônia prevista para arrecadar em torno de 83,8 milhões de euros (270 milhões de reais) em publicidade, numa média de 1,6 milhão de euros por um anúncio de 30 segundos. Pelo menos uma dúvida continua: como ficará a disputa entre Eddie Redmayne e Michael Keaton.

Mas, como dizia o roteirista William Goldman, em Hollywood ninguém sabe de nada. A admiração que cerca Boyhood – Da Infância à Juventude e seu diretor, Richard Linklater, é grande demais para que se descarte um filme criado ao longo de 12 anos e com atores agora indicados que cobraram o pagamento mínimo de 4,5 euros (14,5 reais) por hora. É uma história americana demais para que os membros da Academia a deixem passar em branco, e que, além disso, levou o troféu principal dos BAFTA, os prêmios britânicos que nos últimos seis anos acertaram o vencedor do Oscar. Isso se Sniper Americano não sair beneficiado pelas opiniões dividas.

Uma cena de “Boyhood”. ampliar foto
Uma cena de “Boyhood”.

Por enquanto, o filme de Clint Eastwood já está ganhando outro tipo de ouro: o das bilheterias. Sniper Americano está prestes a se converter na maior estreia de 2014, com uma arrecadação que, quando as estatuetas forem entregas, pode superar nos Estados Unidos o sucesso de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 e Guardiões da Galáxia.

Na hora dos Oscar, não são tanto os votos que decidem o destino das estatuetas, e não é necessariamente quem tem mais votos que ganha. Qualquer dos oito indicados a melhor filme não precisou sequer de 600 votos para garantir seu lugar nessa categoria, e, segundo os cálculos feitos por The Wrap, mais de um pode ter recebido pouco mais de 300. Nas categorias menores, onde apenas os membros do setor correspondente da Academia escolheram seus candidatos, foram muito menos votos ainda. Por exemplo, na categoria de figurino, composta por 113 membros, qualquer dos indicados, desde Maléfica até Caminhos da Floresta, passando por O Grande Hotel Budapeste, Mr. Turner ou Vício Inerente, pode ter sido indicado com apenas 19 votos. Apenas nas cinco categorias principais é que se exigem pelo menos 100 votos a favor para uma indicação.

Neal Patrick Harris terá que manter o interesse em uma cerimônia com arrecadação publicitária estimada em 83,8 milhões de euros

Na reta final, todos votam em tudo: os 6.124 membros da Academia votam nas 24 categorias. Mas a Academia nunca revela quantos membros realmente se dão ao trabalho de votar. Em 23 das categorias ganha o candidato que recebe mais votos, mas na categoria de melhor filme o voto é preferencial, há anos. Isso significa que os membros da Academia precisam atribuir um número, de 1 a 8, aos filmes candidatos.

Teoricamente, seria possível definir o vencedor no primeiro turno, mas, considerando que a Academia não quer que um filme vença por mais de 12% dos votos emitidos, a firma PwC, encarregada da contagem, assegura que isso nunca acontece. O que o primeiro turno fará é eliminar o filme menos votado, e as cédulas que escolheram o filme perdedor são redistribuídas entre os outros filmes candidatos, sendo dadas à segunda escolha do acadêmico. Assim, quando a contagem for concluída, Boyhood poderá vencer mesmo que não seja o filme que recebeu mais votos inicialmente.