Operação Lava Jato

O tesoureiro discreto que expõe o PT no escândalo da Petrobras

Vaccari ajudou a fundar a CUT e tem fama de grande coletor desde a reeleição de Lula Tesoureiro do PT é acusado de receber até 200 milhões de dólares de propina pelo partido

Vaccari deixa sede da PF em São Paulo após depoimento.
Vaccari deixa sede da PF em São Paulo após depoimento.

João Vaccari Neto, tesoureiro nacional do PT, está em todas as apostas do “Petrolão” desde que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, (detido em março do ano passado), chegou a um acordo de colaboração com o juiz Sergio Moro e revelou que o ex-bancário era o suposto intermediário entre a rede corrupta instalada na petroleira e o Partido dos Trabalhadores (PT). “Operador do PT na trama” – foi a forma como se referiu a Vaccari o doleiro Alberto Youssef, personagem central do caso. Segundo eles, Vaccari recebia pessoalmente subornos das grandes construtoras em troca de obter contratos com a Petrobras.

Mais informações

Recentemente, outro delator premiado, o ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco, foi mais adiante e afirmou que Vaccari arrecadou 200 milhões de reais para o PT nos últimos anos. O tesoureiro nega taxativamente qualquer vinculação com o caso e diz que as quantias recebidas pelo PT foram declaradas aos órgãos competentes. “Jamais recebeu dinheiro em espécie como secretário de Finanças do PT”, afirmou nesta quinta-feira seu advogado, Luiz Flávio Borges D'Urso.

A Justiça não confia, entretanto, neste paranaense de 56 anos que se mudou para São Paulo na infância, começou suas atividades sindicais aos 20 anos e acabou se tornando um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no mesmo setor que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Queremos saber quais doações solicitou, sejam legais ou ilegais, às pessoas que tinham contratos com a Petrobras”, afirmou na quarta-feira o promotor Carlos Fernando dos Santos Lima.

Durante a década de 1990, Vaccari liderou o Sindicato dos Bancários. Pouco depois da chegada de Lula ao poder, tornou-se presidente da Cooperativa Habitacional do Bancários (Bancoop), em 2004, e foi formalmente acusado de desviar recursos para contas bancárias de diretores e, principalmente, de financiar campanhas eleitorais do PT (inclusive a da reeleição de Lula). Também foi vinculado ao célebre caso do Mensalão: era o homem de confiança do principal responsável pelo escândalo, José Dirceu, chefe de Gabinete do ex-presidente.

A qualidade mais destacada por seus companheiros é a fidelidade, a lealdade a um partido que conhece desde sua origem. Discreto e de perfil baixo, o bancário costuma evitar a imprensa. Tem fama de grande coletor de recursos e conta com a máxima confiança de Dilma Rousseff e de Lula, seu amigo e companheiro. Inclusive compraram apartamentos no mesmo edifício, no Guarujá, no litoral paulista, quando Vaccari foi acusado de malversação no caso da Cooperativa Residencial dos Bancários (Bancoop), que vendeu (mas não entregou) 3.000 apartamentos. Continua sem ter sido acusado formalmente de nada, mas apareceu em muitos depoimentos da operação Lava Jato e seu interrogatório provoca calafrios de terror em muitos escritórios em Brasília e São Paulo.