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Moedas de Brasil, Colômbia e México atingem menor valor em cinco anos

Possível elevação dos juros nos EUA motiva forte depreciação frente ao dólar

Alejandro Rebossio

A recuperação dos Estados Unidos, uma boa notícia para países que vendem produtos no mercado norte-americano, está motivando também uma onda de especulação financeira com vistas à possível elevação dos juros nos EUA em meados de 2015. Diante dessa perspectiva, os investidores apostam no dólar, o que desvaloriza as outras moedas. As divisas de algumas grandes economias latino-americanas, como Brasil, México e Colômbia, já chegam ao seu menor valor em cinco anos, depois de encadear fortes perdas nos últimos dias.

As moedas latino-americanas também estão se depreciando por causa do fim do ciclo de preços altos das commodities. A desaceleração chinesa, o aumento da produção petrolífera nos Estados Unidos e a reação da Arábia Saudita, que consiste em eliminar os concorrentes à base da redução dos preços (já que a extração de petróleo na península Arábica é rentável mesmo a 10 dólares por barril) constituem um golpe para o principal tipo de exportações e fonte de recursos na região.

A desvalorização das moedas latino-americanas é, além disso, um problema para grandes empresas espanholas, como BBVA, Santander, Telefónica, Repsol e várias construtoras. Essas companhias obtêm boa parte do seu lucro na América Latina, onde compensaram os prejuízos sofridos na Espanha. Mas agora esses recursos, expressos nessas moedas locais, se depreciam.

A maioria dos países latino-americanos está reagindo ao choque externo depreciando sua taxa de câmbio. Os presidentes dos bancos centrais do Brasil, Alexandre Tombini, e do México, Agustín Cartens, disseram na sexta-feira que essa será sua primeira defesa perante um cenário de crescimento adverso, mas que os Governos também devem colaborar ajustando suas políticas fiscais. Entretanto, eles tampouco se mostram dispostos a deixar que suas moedas se desvalorizem em forma descontrolada, dado o impacto disso sobre a inflação. Por essa razão, na segunda-feira o banco central mexicano anunciou que venderá até 200 milhões de dólares (522,2 milhões de reais) nos dias em que o peso cair 1,5% ou mais perante o dólar. A promessa impulsionou o peso mexicano em relação à cotação da sexta-feira, quando chegou ao seu menor valor desde a crise mundial de 2009. Nesta terça-feira, a moeda mexicana era cotada a 14,40 por dólar, o que ainda significa uma valorização de 10% do dólar neste ano.

O real nunca esteve tão fraco desde 2005, época em que teve início o boom no mercado global de matérias primas, causador de uma supervalorização das moedas da região. O dólar foi negociado ontem a 2,59 reais, 10% a mais do que no começo de 2014. O Brasil sofre uma inflação maior que o México (6,4% contra 3,9%, segundo a consultoria FocusEconomics), embora a economia mexicana seja mais dependente dos dividendos do petróleo.

Colômbia, Chile e Peru também deixaram que suas moedas se depreciassem. O peso colombiano caiu ontem ao seu menor nível em oito anos, fechando a 2.352,40 por dólar, 21% a menos do que em janeiro. A moeda norte-americana subiu 16,4% frente ao peso chileno (613,80 pesos por dólar) e 5,7% frente ao sol peruano (2,96, apesar de o banco central local ter vendido 155 milhões de dólares).

A Argentina, com um severo regime de controle cambial, se esforça para evitar a desvalorização, que se somaria a outra já ocorrida em janeiro. O dólar subiu 31,1% desde o começo do ano em relação ao peso argentino, sendo cotado agora a 8,54, mas nos últimos meses a desvalorização da moeda local foi bem menor do que em outros países latino-americanos. Isso foi possível graças a créditos da China e da França, ao ajuste da política monetária e às ações policiais contra casas de câmbio clandestinas. A FocusEconomics prevê que a Argentina encerrará o ano com uma inflação oficial de 26,3%, só superada na região pelos 66,5% da Venezuela.

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Na petroleira Venezuela crescem os temores de que os controles cambiais vigentes já não bastem para evitar uma nova desvalorização do bolívar. Na quinta-feira, o Governo anunciou que ampliará a diversidade de ativos incluídos nas reservas do banco central, de modo a incorporar yuans chineses, diamantes e metais preciosos. O bolívar oficial permaneceu o ano todo cotado a 6,30 por dólar, mas no câmbio paralelo a moeda local se desvalorizou de 60 bolívares por dólar há seis meses para 174 na sexta-feira.

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