Literatura

Transexual sem espantos ou julgamentos

O paulista Alexandre Vidal Porto apresenta seu livro 'Sergio Y. vai à América' no primeiro dos Encontros Literários promovidos pelo EL PAÍS na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre

Alexandre Vidal Porto, autor de 'Sergio Y. vai à América'.
Alexandre Vidal Porto, autor de 'Sergio Y. vai à América'.Divulgação

Abordar a transexualidade sem espantos ou julgamentos. Essa foi a proposta de Alexandre Vidal Porto no romance Sergio Y. vai à América, que procura reverter a pena de prisão perpétua sentenciada a quem nasce em um corpo com o qual não se identifica. Um meio de "aperfeiçoar a primeira versão da vida” do personagem, segundo o autor. Ao revelar as memórias de um renomado psiquiatra sobre o ex-paciente Sergio Y., o livro busca traçar uma investigação sobre os caminhos da sexualidade, a construção da imagem individual e os papéis que as pessoas desempenham ao longo da vida.

Porto foi o primeiro escritor a participar, nesta terça-feira, dos Encontros Literários promovidos pelo EL PAÍS Brasil na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, uma das mais tradicionais da América Latina. Este é seu segundo livro, lançado este ano pela Companhia das Letras.

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“A minha luta é para que a orientação sexual ou a identidade de gênero não sejam limitadoras do potencial que as pessoas podem desenvolver. Que isso seja apenas uma entre as tantas outras coisas que fazem parte do ser humano”, explicou o autor no café do Santander Cultural, minutos antes da conversa com o público.

Ao vislumbrar a transexualidade afastando-a de preconceitos, o autor procura fazer que o tema seja percebido de maneira banal pelos leitores. “A literatura pode mostrar realidades que não são as suas, mas são tão humanas e possíveis quanto a sua. Abrir o universo das minorias sexuais, historicamente tão protegido e oculto, é revolucionário porque agrega ao imaginário, à aceitação e à cultura imagens que foram proscritas”, argumenta o autor.

A sexualidade não é tema do acaso na literatura de Porto. A descoberta da própria homossexualidade foi um dos motivos que o encaminharam ao universo das palavras. “Poderia dizer que foi a honestidade com minha sexualidade que me permitiu desenvolver a escrita. Sempre quis ser escritor, mas não sabia quais temas eu gostaria de tocar. Fiquei muito tempo sem entender o que acontecia comigo, e isso me prejudicava muito em termos literários”, relembrou durante os Encontros Literários.

Para a crítica literária Camila von Holdefer, mediadora do encontro com os leitores, Sergio Y. vai à América é um dos romances mais importantes da literatura contemporânea brasileira. “Porto ousa na temática e está preocupado em contar uma história de forma acessível e a tocar o leitor. É uma história rápida e direta”, define Camila.