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Colômbia é o melhor país da América Latina para fazer negócios

Asiáticos despontam e Cingapura lidera ranking do Banco Mundial

Metade dos latino-americanos melhora o ambiente empresarial

Vista noturna de Medellín (Colômbia). Ampliar foto
Vista noturna de Medellín (Colômbia).

Primeiro, a má notícia: o melhor país do mundo para montar um negócio não está nas Américas, mas sim na Ásia. É Cingapura. Agora, a boa notícia: em metade dos países da América Latina as condições para se fazer negócios melhoraram. É uma boa novidade para milhares de empresários e cidadãos comuns, que algum dia sonharam em abrir seu próprio negócio ou em expandir sua empresa mas esbarraram com os entraves dos regulamentos, da burocracia e do excesso de papelada.

Na América Latina, este último problema é cada vez menos comum. Ao menos em 16 das 32 economias da região, que no último ano realizaram reformas que facilitam a maneira de fazer negócios, segundo a edição de 2015 do relatório anual Doing Business, intitulado Para Além da Eficiência.

A lista é liderada pela Colômbia, país que tem o melhor ambiente para os negócios em toda a América Latina. Desde 2005, Bogotá implementou 29 reformas regulatórias, tais como facilitar a transferência de propriedades e melhorar o acesso a créditos que garante as operações, reduzindo os tempos e eliminando obstáculos a empresários locais. A Colômbia ocupa o posto de número 34 na classificação de 189 economias de todo o mundo.

O Peru está na 35a posição, enquanto o México é o 39o colocado, entre as maiores economias da região que mais apresentaram avanços em suas regulamentações, de acordo com o relatório, que é elaborado pelo Banco Mundial e por seu braço para o setor privado, a Corporação Financeira Internacional (IFC). Um exemplo: há 10 anos, os empresários peruanos levavam 33 dias para registrar a venda de uma propriedade. Hoje, esse prazo se reduziu a 6,5 dias. Ainda que talvez continue parecendo tempo demais, esse período é inferior ao que se gasta nos Estados Unidos (15 dias).

“Algumas economias latino-americanas têm melhorado seu ambiente de negócios em quase uma década, equiparando, em muitos casos, o nível dos melhores do mundo”, afirmou Augusto López-Claros, diretor do Grupo de Indicadores Globais do Banco Mundial.

Melhorar a competitividade

Um dos aspectos mais complicados na hora de fazer negócios é o acesso a créditos. Os entraves legais podem fazer com que uma excelente ideia de negócios não passe de uma ideia se não houver o marco legal que facilite às empresas o dinheiro para investir e se desenvolver. O México é um exemplo claro de avanço nessa área. No último ano, o país modificou sua legislação sobre insolvência ao facilitar prazos para a reorganização, esclarecer certas regras e permitir a apresentação de documentos eletronicamente.

“Acelerar e expandir os processos para se fazer negócios ajudaria a diminuir a diferença com os países que realizam isso a nível mundial e, ao mesmo tempo, a impulsionar a competitividade”, acrescentou López-Claros. A competitividade é fundamental para a América Latina, que, por um lado, é uma região muito ativa na hora de empreender negócios, mas por outro ainda carece de habilidades para a inovação que a coloquem lado a lado com os países avançados, segundo outro recente relatório sobre o assunto.

Outro país que se beneficiou da reforma de acesso a créditos é o Panamá, a economia que mais cresceu na América Latina na última década. O país aprovou uma lei que amplia a gama de ativos que podem ser usados como garantia em um empréstimo, e permite a execução extrajudicial das garantias.

No entanto, a Guatemala é o país da América Central com a melhor nota do Doing Business 2015, por ter facilitado a abertura de empresas ao eliminar certas taxas de registro e ao reduzir o tempo para publicar o aviso de sua criação. Além disso, o país simplificou o pagamento de impostos e barateou o custo para as empresas ao melhorar o sistema eletrônico para o preenchimento e o pagamento de impostos, e ao reduzir as taxas sobre os ganhos de capital. Isso permitiu às empresas economizar até 60 horas por ano em trâmites

No Caribe, Trinidad e Tobago e a Jamaica se destacaram como as economias que introduziram mais reformas para facilitar a constituição de negócios. No outro lado do espectro, em alguns países como a Argentina, a Venezuela e a Bolívia, as condições para a criação de empresas não melhoraram.

Mudanças no Doing Business

Pela primeira vez, o relatório Doing Business compilou dados de uma segunda cidade nas 11 economias com mais de 100 milhões de habitantes. No Brasil, por exemplo, foram analisados os regulamentos de negócios em São Paulo e no Rio de Janeiro, e no México, foram tomadas em consideração melhoras na Cidade do México e em Monterrey. Os autores da pesquisa também ampliaram os dados de três dos 10 tópicos que analisam e pretendem estender outros cinco temas na próxima edição do relatório.

A partir da atual versão, o Doing Business também modificou a metodologia para calcular sua classificação. Diferentemente do ocorrido no passado, agora a medição mostra o quão próximo cada economia está das melhores práticas mundiais em termos de regulamentação empresarial. Ou seja, uma pontuação mais alta indica um ambiente de negócios mais eficientes e instituições legais mais sólidas.

Sob a nova metodologia, o país com a melhor classificação mundial foi Cingapura, seguida por Nova Zelândia, Hong Kong, Dinamarca, Coreia do Sul, Noruega, Estados Unidos, Reino Unido, Finlândia e Austrália como as 10 economias com melhor ambiente de negócios.

*María José González Rivas é produtora online do Banco Mundial