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A fabulosa década de Messi

O argentino, após dez anos no Barcelona, se reinventa agora como jogador de equipe após ser seu goleador

Messi, em uma partida da Liga com o Barça. Ampliar foto
Messi, em uma partida da Liga com o Barça. DIARIO AS

Hoje se comemora dez anos da estreia oficial de Messi como jogador do Barça. O atacante de 17 anos, usando o número 30, substituiu Deco na partida jogada em Montjuïc com o Espanyol (0-1). Não foi um encontro exatamente memorável nem significou o ponto de partida da assombrosa trajetória do quatro vezes ganhador da Bola de Ouro. O time rival da cidade poderia ter sido o destino de Leo quando o Espanyol se interessou por sua cessão nos momentos de confusão sobre o futuro de um jogador cuja licença foi denunciada um ano depois por Javier Tebas, na época advogado de Alavés e vice-presidente da Liga, porque o contrato de Messi não tinha sido feita a tempo.

Embora quando se tornou vencedor tenha tido mil padrinhos, não é casual que seu compromisso com o Barcelona começasse com a assinatura em um guardanapo, sinal de frivolidade ou, ao contrário, de fé cega, como se seu êxito estivesse tão garantido que não houvesse necessidade de nenhum papel porque ninguém duvidava de Messi. Alcançada a celebridade, é fácil e gratificante reconstruir sua passagem por La Masia. Até Fabio Capello chegar a Gamper de 2005, no entanto, a carreira de Messi foi de consumo interno e houve até quem tivesse proposto que ganhasse experiências em Montjuïc e não no Miniestadi. Leo deslumbrou então no Camp Nou quando mandou um chute contra Cannavaro e o técnico da Juventus exclamou: “Quero este pequeno diabinho; nunca vi um garoto desta idade jogar de maneira tão descarada; parece Diego.”

Messi se transformou em Maradona em abril de 2007 quando marcou um gol no Getafe em uma jogada parecida à protagonizada por Diego no Mundial do México 86 contra a Inglaterra. Os gols são tantos e tão bonitos que não apenas permitem calibrar sua figura a cada momento, mas ajudam a atualizar o futebol. As últimas gerações de torcedores conhecem Zarra, Muller, César, Di Stéfano, Maradona, pelas façanhas de Messi. Foi dez jogadores diferentes em um desde que estreou como goleador em maio de 2005 nos três minutos que jogou contra o Albacete: marcou um gol encobrindo o goleiro depois que o juiz anulou outro igual idêntico. Assim funciona Leo.

Leo se converteu em Maradona em abril de 2007 quando marcou um gol no Getafe em uma jogada parecida à protagonizada por Diego no México 86

Messi arrancava pelos lados, driblava, ganhava vantagem e marcava gols. Não havia maneira de pará-lo e se um zagueiro metia a perna ficava marcado, como aconteceu com Del Horno em Stamford Bridge, em fevereiro, quando Mourinho denunciou que na Catalunha havia um “bom teatro”. Pep Guardiola responderia ao português na sala de imprensa do Bernabéu, em 2011, chamando-o de “sabe-tudo”. Messi coroou depois a vitória barcelonista no torneio que, por excelência, era do Madrid: a Copa da Europa. O argentino havia deixado de ser ponteiro dois anos antes para se tornar o falso nove por decisão de Guardiola no mesmo Chamartín na noite do 2-6.

Seus gols são tantos e tão bonitos que não apenas permitem calibrar sua figura a cada momento, mas ajudam a atualizar o futebol

Não houve centro-avante que tivesse uma vida fácil com Messi. Nem Eto’o, nem Ibrahimovic, nem Villa. Messi fazia gols até com o escudo, como no Mundial de Clubes, porque era imparável pela velocidade de condução da bola, a frequência no toque, a mudança de ritmo, o drible, a explosão, até que se machucou em abril de 2013, em Paris. Quebrada a lâmpada, se apagou o Barça.

Messi vence Iraizoz em um duelo desta temporada
Messi vence Iraizoz em um duelo desta temporada Getty

Messi reapareceu tempos depois como meio-campista, solidário e assistente, a serviço de Neymar, como se voltasse ao começo, à partida com o Albacete, quando foi ajudado por Ronaldinho. O rapaz que se deita em Rosário e se levanta em Camp Nou tem a aspiração de conviver com Neymar e Luis Suárez. Tem o gene competitivo argentino e a cultura futebolística do Barça para reinventar-se como 10 depois de ser um 7 e um falso 9. O sucesso do Barça sempre dependeu de sua felicidade. E pode ser que agora o triunfo passe porque Messi joga para o Barça em vez de o Barça jogar para Messi. Hoje, dez anos depois, começa uma nova década com Messi.

Messi comemora perseguido por Eto’o, o segundo gol dos três que marcou contra o Real Madrid na Liga em 2007 ver fotogalería
Messi comemora perseguido por Eto’o, o segundo gol dos três que marcou contra o Real Madrid na Liga em 2007 ap

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A fabulosa década de Messi

Quero agradecer toda minha família, amigos, companheiros e toda a equipe do FC Barcelona por seu apoio nestes dez maravilhosos anos. Sempre desfrutei no campo, vestindo estas cores e vivendo momentos muito lindos. Mas também sempre com vontade de melhorar e conseguir mais títulos para a equipe. Um abraço a todos!