A Apple lança o iPhone 6 e o Apple Watch, seu relógio de pulso inteligente

A empresa apresenta dois novos modelos de celular com tela maior e um relógio com aplicativos

Tim Cook apresenta os novos iPhones.
Tim Cook apresenta os novos iPhones.David Paul Morris (Bloomberg)

Emotividade e teatralidade. A Apple apelou ao senso de espetáculo para apresentar seus novos celulares. Num teatro universitário, Tim Cook abriu o show recordando o idolatrado Steve Jobs, que ali, há 30 anos, apresentou o computador Mac e mais tarde o iMac. Procurava rejuvenescer essas glórias com uma frase: “Hoje é um dia chave para a Apple”. Em seu tom grandiloquente, prosseguiu: “Vamos falar do aparelho que mudou nossas vidas”. Em 2013, foi o modelo mais vendido em todo o mundo. Não houve atraso, e sim muito marketing: “O maior iPhone até hoje”.

A nova geração não tem arestas na parte posterior; assim como o iPad Air e iPad Mini, é arredondado. Rompendo a tradição, saíram dois tamanhos: iPhone 6 e iPhone 6 Plus. Mantém-se a tela Retina, como a Apple chama a sua tecnologia de alta resolução, mas passam de quatro polegadas de tela para 4,7 e 5,5, em seus respectivos modelos. São também mais finos.

Apple Watch, o relógio de pulso

Tim Cook apresenta o novo iWatch.
Tim Cook apresenta o novo iWatch. (AP)

Mas a verdadeira revolução chegou quase uma hora depois do começo da apresentação, quando vieram as palavras mágicas: “One more thing” (mais uma coisa), a frase clássica de Steve Jobs. “Este produto vai redefinir o que se espera desta categoria. O próximo capítulo na história da Apple”, disse, com voz embargada.

Um relógio com zoom, de design extremamente caprichado e autonomia para mais de um dia. A recarga é feita pela parte traseira, com um cabo magnético. Dá a hora, claro, muda de país automaticamente, mas é necessário ter um iPhone para que as demais funções se ativem. Muito interessante, mas não deixa de ser um acessório. Sairá no começo de 2015, a partir de 349 dólares (795 reais).

“Pegamos o iPhone e o colocamos no pulso”, insistiu. Dá para fazer zoom usando a roda lateral, como quando se dava corda nos primeiros relógios. Uma metáfora do mundo analógico com resultados digitais, na tela. A roda serve também para mover as configurações e para confirmar, ao pressioná-la para dentro.

As pulseiras e coroas vêm em diferentes cores. Do básico ao modelo esportivo, mais resistente, ou o edition, banhado em ouro.

Os acenos da Apple ao mundo da moda são constantes há um ano, quando foi contratada uma executiva-chefe vinda da Burberry, Angela Ahrendts. Agora, nesta semana, entrou em seu quadro o designer Marc Newson, para fazer parte da equipe do idolatrado Jony Ive. Antes já vieram Paul Deneve, da Saint Laurent, e Patrick Pruniaux, da firma suíça de relógios Tag Heuer. Depois desta apresentação, faz muito mais sentido.

Preços salgados

Voltando ao iPhone 6, perde-se a essência vertical do aparelho, pois, ao girá-lo, movem-se também os aplicativos, não só o conteúdo, como nos iPads. Uma melhora que parece menor, mas servirá para poupar tempo, é a inclusão de botões para copiar e colar no teclado.

Segundo a empresa, o processador é 84 vezes mais rápido que o primeiro iPhone e 50% mais eficiente. Cifras que, no papel, soam bem, mas que só farão sentido se servirem para dar maior autonomia ao aparelho. A bateria, até agora, foi um dos grandes defeitos do celular da Apple.

A Apple se mantém no topo dos preços. Sairá com 200 operadoras em todo o mundo, todas obrigadas a oferecerem conexão 4G e gestão das chamadas de voz simultaneamente. As cores estão mantidas: dourado, prateado e cinza. Além disso, a Apple lança uma coleção de capas de silicone em seis cores e de capas de couro em cinco cores para os novos modelos. Os preços vão de 199 a 399 dólares para os modelos de 16, 64 e 128 gigas de iPhone 6, e 100 dólares a mais para o modelo Plus. A empresa ainda não divulgou os preços dos modelos sem vinculação a uma operadora. Começarão a ser vendidos em 19 de setembro em nove países. Os celulares poderão ser encomendados da próxima sexta-feira.

Os novos modelos recuperam os cantos arredondados, têm uma nova tela de alta definição e incluem melhoras na câmera fotográfica, segundo Cook. O iPhone 6 tem mais de um milhão de pixels, e o iPhone 6 Plus, mais de dois milhões. O iPhone 6 tem uma tela de 4,7 polegadas de diagonal, maior que as quatro polegadas do iPhone 5. Já o iPhone 6 Plus tem tela de 5,5 polegadas.

A maior superfície permitiu emagrecer grandemente o telefone, dos 7,6 milímetros do iPhone 5 para o 6,9 milímetros do iPhone 6 e 7,1 milímetros do iPhone 6 Plus.

Cook citou a maior velocidade de seus processadores, o menor consumo de bateria e a maior rapidez dos gráficos. A Apple assegura que os jogos no iPhone 6 Plus têm maior resolução do que na próxima geração de consoles específicos para games.

Voz, câmera e barômetro

O aparelho possibilita navegar em grande velocidade e seus sistemas de voz, através da banda larga, permitem uma grande qualidade de comunicação, segundo a empresa.

O telefone possui um barômetro para medir a pressão do ar e um aplicativo de saúde integrado ao novo iOS 8, o sistema operacional do telefone.

A empresa diz que a câmera melhorou notavelmente, com 8 megapixels, um diafragma de 2,2 de abertura e um sensor completamente novo que permite um foco melhor. A câmera frontal para fazer selfies permite tirar até 10 fotos por segundo e tem sensores para reconhecer melhor os rostos e escolher o momento adequado para tirar uma foto de alta resolução. A companhia disse que foram introduzidas também enormes melhoras na câmera de vídeo.

Os novos telefones funcionam com o sistema operacional iOS 8. A empresa destacou seu sistema de mensagens, que permite acrescentar com facilidade voz, vídeo e localização. O novo sistema operacional estará disponível para download gratuito a partir de 17 de setembro e pode ser utilizado com modelos anteriores a partir do iPhone 4S, do iPad 2 e o iPod Touch de quinta geração. O iOS 8 inclui o reconhecimento de impressão digital e outras melhorias.

Apple Pay, uma nova forma de pagamento

A Apple quer mudar a forma de pagamento. “A carteira, com seus cartões de crédito, tem mais de 50 anos”, disse o executivo. Os iPhone 6 terão em seu interior os dados dos cartões de crédito de seu dono. Será necessário verificá-los com o banco. Depois, bastará confirmar o pagamento ao passar o telefone pelo caixa da loja e confirmar com a impressão digital. O escândalo pelo vazamento de fotos de famosas na semana passada parece ter feito a empresa enfatizar a segurança.

“O Apple Pay é fácil, seguro e privativo”, disse a companhia após os últimos problemas com a nuvem. “É mais seguro do que levar os cartões na carteira”, disse um diretor. Se o telefone for perdido, é possível cancelar o uso dos cartões com esse dispositivo sem necessidade de cancelar os cartões.

A Apple aproveitou a base de clientes do iTunes. Além disso, funcionará com American Express, Visa e MasterCard e com os principais bancos. Será inicialmente lançado em outubro nos Estados Unidos e depois será disponibilizado para outros países. O mecanismo virá integrado nos dois novos modelos de telefone.

As ações da Apple voltaram a superar hoje os 100 dólares (228 reais) com a apresentação do iPhone 6 e do Apple Watch. A cotação da empresa está situada na zona dos valores máximos históricos, com um valor de mercado que beira os 600 bilhões de dólares (1,37 trilhão de reais), o que converte a empresa fundada por Steve Jobs e agora dirigida por Tim Cook na companhia mais valiosa do mundo.

A Apple manteve intacta sua estratégia de se dirigir somente ao segmento mais alto do mercado, enquanto sua grande rival, a Samsung, lançou modelos com um nível de entrada muito mais baixo. O mercado recompensou ultimamente a estratégia da Apple, depois que em 2013 surgiram dúvidas sobre se ela perderia muito terreno para sua rival coreana.

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