Hackers russos roubam dados em sete bancos norte-americanos

O FBI está investigando o alcance do ataque contra as entidades, entre as quais está o JP Morgan

Um escritório do JPMorgan, em Nova York.
Um escritório do JPMorgan, em Nova York. (EFE)

Estão aumentando os ataques informáticos contra os bancos. O FBI e o Serviço Secreto investigam agora um incidente com origem em hackers russos que teriam realizado este mês uma ofensiva grande e coordenada contra sete importantes entidades, entre as quais o JPMorgan Chase. Há suspeitas de que possam ter tido acesso a dados pessoais dos clientes, aproveitando uma vulnerabilidade nos aplicativos para celulares, mas não consta que tenham tocado em suas contas bancárias.

As autoridades em Washington tentam determinar o alcance da invasão, se as contas realmente estiveram em perigo e se a ação dos hackers foi em respostas às sanções contra a Rússia pelo conflito na Ucrânia. O temor é que a massa de dados pessoais que poderiam ter passado para as mãos deles seriar suficiente para acessar as contas correntes e de poupança dos titulares e mover estes fundos.

Os hackers conseguiram também ter acesso aos sistemas dos funcionários. As fontes da investigação não citam as entidades afetadas, que poderiam incluir algumas europeias. O incidente, de qualquer forma, volta a colocar em evidência os buracos que existem no sistema financeiro. A rede comercial Target sofreu em plena temporada de compras natalinas uma invasão que afetou os titulares de 40 milhões de cartões de crédito.

O JPMorgan Chase confirmou o ataque, embora tenha lembrado que as entidades de seu tamanho sofrem ataques informáticos diariamente e assegurou que não houve fraude. O banco dirigido por Jamie Dimon gasta ao redor de 250 milhões de dólares (562 milhões de reais) por ano para se proteger e conta com uma equipe de 1.000 empregados dedicados a levantar firewalls para limitar os prejuízos. São cifras que estão crescendo. Apesar dos contínuos ataques informáticos contra os bancos, inclusive aos sistemas do Federal Reserve, são pouco comuns o acesso aos dados sensíveis que os bancos possuem.

Servidores na América Latina

Outra coisa diferente é que os hackers consigam acesso aos computadores dos consumidores ou das lojas nas quais eles realizam as compras. A verdade também, como indicam os especialistas em segurança, é que estas operações de ataque são cada vez mais sofisticadas e são capazes de utilizar servidores remotos para dificultar ainda mais sua detecção. Neste caso, acredita-se que foram usados computadores na América Latina para penetrar nas portas abertas na web e aplicativos para celulares.

As entidades afetadas não informaram ainda a seus clientes sobre o incidente, porque não há provas até o momento de que tenha ocorrido uma fraude financeira. É por este motivo que o número exato de bancos e o nome das entidades não foram divulgados. É precisamente esta ausência de fraude que leva os investigadores a pensar que o ataque poderia ter uma intenção política, além de demonstrar sua sofisticação.

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