crescimento econômico

A estagnação da França e da Alemanha lança dúvidas sobre a recuperação

O PIB alemão desacelerou bruscamente no segundo trimestre com uma queda de 0,2% A França segue estancada e avisa que não cumprirá a meta de déficit

A chanceler alemã Angela Merkel.
A chanceler alemã Angela Merkel.THOMAS PETER (REUTERS)

As economias da França e da Alemanha, as mais fortes da Europa, sofreram duros golpes no segundo trimestre deste ano, colocando em dúvida a recuperação econômica europeia. Segundo anunciou seu instituto de estatísticas, o PIB alemão sofreu uma retração de 0,2% no segundo trimestre. A desaceleração da locomotiva europeia é particularmente grave, já que é a primeira retração de sua economia desde o primeiro trimestre de 2012 e contrasta com o crescimento de 0,7% que o país registrou nos primeiros três meses deste ano.

O ministro das Finanças francês pede "uma resposta global a nível europeu"

De sua parte, o PIB francês permaneceu completamente estancado, e o Governo do país já adverte que não alcançará a meta de déficit para este ano, enquanto enfrentará dificuldades em relação à meta de 2015. O mau desempenho do PIB dos dois países, somado à recessão técnica que a Itália atravessa, levou a zona do euro ao estancamento neste trimestre.

A freada econômica alemã, que passa de um robusto crescimento de 0,7% (valor revisado após a divulgação inicial de 0,8% na época) a uma retração de 0,2%, pior do que o 0% previsto, põe em risco a meta de crescimento de 1,5% para o ano. A contribuição negativa do comércio exterior e o investimento das empresas explicam a cifra do Instituto Federal de Estatísticas (Destatis), que ainda é provisória. Os analistas e o próprio Governo alemão já tinham alertado sobre a estagnação, colocando a culpa da recuperação incerta da zona do euro na crise da Ucrânia. É a primeira queda do PIB da Alemanha em mais de um ano. "Um dos prováveis motivos foi o clima extremamente aquecido provocado pelas altas taxas de crescimento no início do ano", indicou o Destatis em seu relatório trimestral.

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A França também não será o motor que empurrará a economia europeia. O ministro francês das Finanças, Michel Sapin, anunciou que seu país não vai alcançar a meta de déficit para este ano e se arrisca a não cumpri-la em 2015, quando o país deve voltar ao limite europeu de 3%. A economia francesa manteve um crescimento nulo no segundo trimestre de 2014, assim como no período anterior, de acordo com o Instituto Francês de Estatística (INSEE), o que levará a taxa de crescimento do PIB a 0,5% – metade do previsto inicialmente. Diante dos dados macroenômicos ruins, Sapin pede que as instituições europeias adaptem suas políticas econômicas à "excepcional situação de crescimento fraco e baixa inflação em toda a Eurozona".

No jornal francês Le Monde, o ministro preparou o terreno para os dados oficiais do INSEE, publicados nesta manhã. De acordo com os números, o PIB francês não cresceu entre abril e junho, nem nos três primeiros meses do ano. O baixo investimento das empresas, assim como a contribuição negativa do comércio exterior, contribuiu para o crescimento zero da economia francesa. Os dados derrubam as previsões do Governo de François Hollande, que previa um crescimento de 1% em 2014.

O ministro admitiu em sua coluna no Le Monde que o crescimento não passará de 0,5% este ano e "não subirá muito mais que 1% em 2015". A necessidade de "uma resposta global a nível europeu", já que os problemas de inflação baixa e crescimento fraco, que dificultam a redução do déficit, não afetam somente a França. "A Europa deve atuar com firmeza e clareza, adaptando suas decisões à situação profundamente especial e excepcional de nosso continente", afirma o ministro francês.

Para isso, ele adverte que o déficit público francês passará dos 4% no fim do ano, em vez dos 3,8% inicialmente previstos. Também está em risco o cumprimento da meta para 2015, prazo que as instituições europeias deram para a França para voltar ao patamar de 3%.

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