FÓRMULA 1 | GRANDE PRÊMIO DA GRÃ-BRETANHA

Hamilton ganha e Rosberg abandona

Bottas acaba em segundo seguido de Ricciardo, enquanto Alonso termina em sexto depois de um duro duelo contra Vettel

Hamilton celebra a vitória no GP da Grã-Bretanha.
Hamilton celebra a vitória no GP da Grã-Bretanha.

A corrida de Silverstone não decepcionou. O Grande Prêmio da Grã-Bretanha voltou a oferecer todo tipo de atrativos e terminou com uma nova vitória de Lewis Hamilton, cujo fiel público levantou-se e enalteceu o seu ídolo, agora pilotando um Mercedes. A marca alemã deu mais uma demonstração de superioridade e conseguiu a oitava vitória na temporada em nove corridas - apenas Ricciardo, no Canadá, quebrou a hegemonia. Poderia ter sido uma dobradinha, mas Nico Rosberg, líder no momento em que foi obrigado a abandonar por um problema na caixa de câmbio, quando 29 voltas já haviam passado. O alemão deixou a porta aberta para Valtteri Botas e Daniel Ricciardo subirem ao pódio. Alonso ficou em sexto, depois de ser ultrapassado em um duelo apaixonante por Vettel. Agora, Hamilton está a quatro pontos de Rosberg no Mundial de Pilotos, no segundo lugar.

A corrida foi movimentada desde a primeira volta. Na largada, Rosberg manteve a ponta sem dificuldades, enquanto Vettel perdeu três posições, para Button, Magnussen e Hamilton. Alonso avançou para a 14ª posição. O que transformou a corrida, porém, foi o espetacular acidente sofrido por Kimi Raikkonen, que provocou a presença do safety car e de uma bandeira vermelha. Raikkonen escapou na curva Aintree e quando voltou acertou uma zebra que tirou qualquer contato do seu carro com a pista. Suas rodas voaram e ele perdeu o controle do seu Ferrari. Atravessou a pista, levou Felipe Massa consigo e se chocou nas grades de proteção, com uma das rodas dando voltas pela pista. O impacto produziu uma pressão de 47G, segundo fontes da Ferrari. O que demonstra a segurança dos carros atuais.

Felizmente, Raikkonen conseguiu sair do carro com as próprias pernas e não sofreu ferimentos. Mas a corrida ficou parada por uma hora, durante as tentativas de consertar os defeitos da pista. Alguns pilotos aproveitaram para fazer ajustes, e outros, como Fernando Alonso, para trocar pneus. Trocou os duros - muito desgastados - pelos macios, o que lhe valeu uma vantagem significativa.

A Ferrari de Raikkonen retirada por um guindaste depois do acidente

A corrida foi retomada atrás do safety car com um grid de largada diferente do inicial, respeitando as posições que os pilotos conseguiram na primeira volta. Portanto, Rosberg e Button dividiram a primeira fila, seguidos de Magnussen e Hamilton, Vettel e Hulkenberg. Alonso saiu da 14ª posição, compartilhando a sétima fila com Gutierrez. Massa e Raikkonen, obviamente, estavam fora da corrida.

A relargada foi um espetáculo. Ninguém se conformou com o que tinha, especialmente os homens que brigam pelas primeiras posições da classificação do Mundial. Rosberg se consolidou na liderança, perseguido por um Hamilton que, em duas voltas, superou Magnussen e Button sem muitos problemas. Mais atrás, Fernando Alonso realizava uma recuperação espetacular, aproveitando qualquer recurso que estivesse à disposição. Passou Ricciardo, Hulkenberg e Magnussen, até chegar à quinta posição. E foi neste momento que os comissários anunciaram uma punição (stop and go) por ter estacionado mal o seu carro na primeira largada (passou dos limites). O asturiano seguiu na pista até decidir trocar os pneus. Quando entrou nos boxes, seus mecânicos tiveram que ficar cinco segundos parados antes de substituírem as rodas. Voltou em uma virtual 10ª posição porque os outros pilotos ainda fariam pit stops.

A Ferrari de Raikkonen, retirada por um guindaste depois do acidente.
A Ferrari de Raikkonen, retirada por um guindaste depois do acidente.DIMITAR DILKOFF (AFP)

No entanto, o que acabaria marcando o resultado final da corrida foi um problema na caixa de câmbio de Nico Rosberg, que obrigou o alemão a abandonar a etapa, na 29ª volta. Sim. A partir daquele momento, a corrida estava decidida e teria Hamilton como grande vencedor. Restavam as definições das outras posições do pódio. Bottas, com seu Williams, era segundo colocado com uma vantagem de oito segundos para Ricciardo. E este estava dez à frente de Button. Um pouco atrás, estabelecia-se o duelo mortal entre Vettel e Alonso, lutando pela quinta posição.

O asturiano resistiu às primeiras investidas, e logo, com a asa móvel traseira e pneus mais novos, acabou abrindo alguma vantagem. O duelo foi daqueles que marcam uma corrida. Durou cerca de 10 voltas, nas quais Alonso aguentou os ataques do alemão. Ao fim, Vettel passou e se queixou das manobras do asturiano. Alonso também reclamou, muito chateado. "Se você sai dos limites da pista três vezes seguidas - como Vettel fez -, alguma vantagem acaba levando. Estávamos no limite entre continuar na corrida e sair dela. Legal ou ilegal, era inevitável que avançasse. A Red Bull está à nossa frente", afirmou depois da prova. "O carro não funcionava. A batalha com Vettel foi bonita vista de fora, mas eu sabia que estava no limite, porque duas voltas atrás o duelo quase me fez abandonar. Temos que melhorar".