FÓRMULA 1 | SILVERSTONE

A chuva faz o ‘Il cavallino’ derrapar

Um erro estratégico da Ferrari condena Alonso e Raikkonen às catacumbas

Alonso, a bordo de sua Ferrari, durante a qualificação de Silverstone.
Alonso, a bordo de sua Ferrari, durante a qualificação de Silverstone.

A lógica leva a pensar que quando alguém suspeita que a casa em que está vai cair, sairá para a rua imediatamente para não ficar soterrado nos escombros. Porém, já se sabe que a lógica não serve para nada no Campeonato Mundial de Fórmula 1, muito menos dentro da oficina da Ferrari. A equipe italiana deu um tiro no pé neste sábado em Silverstone, onde disputa neste domingo (às 9h, horário de Brasília) a nona rodada do Campeonato depois de cometer um erro memorável. 

A Ferrari se enrolou no momento de tomar decisões e essa falta de cintura condenou seus dois pilotos

Como já havia acontecido nos últimos anos, a marca do il cavallino rampante (cavalo empinado) se enrolou no momento de tomar decisões e essa falta de jogo de cintura condenou seus dois pilotos, eliminados na primeira etapa da qualificação e que terminaram em 19º, no caso de Fernando Alonso, e 20º, no de Kimi Raikkonen. Para os bólidos vermelhos, ontem foi o sábado mais negro desde o Grand Prix da Malásia de 2010. Como naquela ocasião (Alonso largou em 19º e Massa em 21º), o elemento que provocou a hecatombe também foi a chuva. As várias sanções que estavam pendentes farão o espanhol largar em 17º e o finlandês em 19º, ambos a um mundo de distância de Nico Rosberg, que pegou sua quarta pole na competição.

Faltavam menos de cinco minutos para o final da primeira eliminatória (Q1) quando a chuva deu uma trégua e o asfalto começou a secar. Enquanto a maioria dos carros rodava, as duas Ferraris e os dois Williams permaneciam na garagem, pensando que seus registros iriam classificá-los facilmente para a Q2. Um monumental erro de cálculo. Num piscar de olhos, a passagem dos carros abriu um caminho que permitiu a todos os que estavam na pista e com pneus lisos baixarem seus registros em cerca de três segundos. O pânico e a correria se instalaram na garagem da estrutura de Maranello, que quando quis reagir e voltou a tirar seus dois F14T viu que o céu estava desabando de novo, circunstância que inutilizou os esforços de Alonso e Raikkonen, que a duras penas conseguiram manter seus carros inteiros.

"Depois do fato consumado é muito fácil perguntar por que pusemos os pneus lisos", disse Alonso, resignado.

"É claro que agimos errado e também é verdade que isso já aconteceu antes. Mas depois do fato consumado é muito fácil perguntar por que pusemos os pneus lisos", disse Alonso, resignado. Apesar de reconhecer o erro, o espanhol chegou a dizer que, para as formações pequenas como a Marussia, é mais fácil arriscar. Uma abordagem surpreendente se considerarmos que a Ferrari poderia ter feito o mesmo que a maioria, ou seja, manter seus pilotos circulando para garantir a passagem para o Q2. "Quem sai normalmente em 22 e 23 pode arriscar mais, porque se as coisas não forem bem, também não vão voltar para trás. O que está claro é que precisamos melhorar, porque enquanto muitos estavam melhorando setor após setor, nós estávamos no box", explicou o espanhol, absolutamente perplexo com os males que mantêm a Ferrari no divã há muitos anos.