O ímpeto renovador anima os primeiros 100 dias de mandato de Bachelet

A presidenta do Chile conseguiu levar adiante 91% de suas reformas

Santiago do Chile - 26 jun 2014 - 00:49 UTC
Bachelet em una cerimónia mapuche no Palácio de La Moneda.
Bachelet em una cerimónia mapuche no Palácio de La Moneda.MARIO RUIZ / EFE

Na semana passada Michelle Bachelet apresentou o balanço de seus primeiros 100 dias à frente do Governo. Anunciou a implantação de 56 medidas e afirmou ter cumprido 91% delas. Bachelet decidiu submeter o 9% restante, que diz respeito aos povos indígenas, à consulta prévia desses povos.

A oposição e a imprensa mais crítica destacaram que muitas dessas medidas entravam em vigor só porque foram anunciadas. Mas o simples anúncio desatou uma chuva de críticas, como aconteceu quando Bachelet falou ao Parlamento de promover a despenalização do aborto terapêutico.

Além disso, o esforço patente de Bachelet em cumprir as promessas levou a oposição a acusá-la de agir com excessiva presteza e de fazer mau uso da maioria parlamentar ao sacrificar o consenso em favor do cumprimento da agenda fixada.

Até agora, a principal iniciativa foi a aprovação da reforma tributária no dia 14 de maio, na Câmara dos Deputados. A lei contempla aumentar os impostos para as empresas e baixá-los às pessoas. Sua aprovação, depois de 12 horas de debates, foi rechaçada em bloco por toda a direita, com exceção de um deputado.

A presidenta insiste que a lei não foi improvisada. Mas analistas afinados com o Governo estimam que antes de formular a lei era necessário contar com a participação de mais especialistas. Bachelet alega que há tempo de aperfeiçoá-la, pois ainda precisa ser aprovada pelo Senado. E se mostra aberta ao diálogo. Mas considera vital para o país que a lei seja aprovada nos próximos meses. “Vai nos permitir obter recursos para a reforma educacional, mas também para enfrentarmos os problemas de saúde que encontramos e tentar melhorar as aposentadorias mais baixas do nosso país, além da moradia”, afirmou a presidenta ao EL PAÍS.

Em relação à reforma educativa, o Governo também recebeu críticas dos que consideram que Bachelet fala constantemente de uma educação “gratuita e de qualidade”, mas não concretiza suas propostas. A presidenta considera, contudo, que a reforma será aprovada por partes e que, por isso, nem todos conseguem perceber o quadro geral. “Enviamos ao Parlamento dois projetos que abordam distintos problemas dentro da educação. E seguiremos em frente com outros projetos. Vamos aos poucos, porque todos são de enorme complexidade. Mas vamos fazer isso aqui e agora, nos próximos meses”, conclui Bachelet.

A respeito da margem das porcentagens sobre as promessas cumpridas, a própria Bachelet lembra que o importante é que com essas medidas já foi traçado o roteiro de seu Governo. A partir de agora, terá de torná-las realidade.