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Alierta prevê que o desemprego na Espanha cairá 14% em quatro anos

A Telefónica paga 26% de seus rendimentos em impostos, revela o presidente da empresa

Isidre Fainé y César Alierta, na junta de acionistas.
Isidre Fainé y César Alierta, na junta de acionistas.

O presidente da Telefónica, César Alierta, aproveitou a assembleia geral de acionistas da empresa, realizada nesta sexta-feira em Madri, para lançar uma mensagem de otimismo sobre a economia espanhola e, em particular, sobre a evolução do desemprego, prevendo que, com as reformas necessárias, em quatro anos a taxa de desemprego diminuirá dos atuais 26% para 14% “contanto que se faça o que tem de ser feito”. Para isso, pediu a elaboração de políticas de educação focadas na formação profissional para reduzir o desemprego juvenil.

Alierta, que também é presidente do Conselho Empresarial para a Competitividade, que agrupa as 17 maiores empresas da Espanha, ressaltou que essa redução será possibilitada pela recuperação da economia espanhola, que crescerá 1,3% em 2014 e acima de 2% em 2015, e pela expansão europeia, que será maior do que se espera.

O mais alto diretor da operadora minimizou a importância dos “votos populistas” vistos nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, e concordou com o diagnóstico feito por vários líderes europeus, de que “o populismo acaba com o crescimento”.

Alierta também se mostrou esperançoso sobre a evolução do setor e da própria Telefónica porque, segundo argumentou, a Comissão Europeia vai “mudar as regras do jogo em menos de um ano”, para regulamentar os chamados over-the-top content (OTT), que são as empresas da Internet como Google ou Facebook. A modificação normativa, recorda ele, fará que sejam respeitadas a privacidade, a segurança e os direitos de propriedade intelectual.

Segundo o presidente da Telefónica, “é imprescindível que a regulamentação se adapte para refletir a realidade da nova economia digital. As novas políticas deveriam ser flexíveis e garantir as mesmas regras do jogo para todos os agentes do ecossistema digital”. Também destacou a importância de avançar na harmonização da regulamentação europeia, convencido de que “a Europa pode e deve liderar a próxima onda de inovação, recuperando a liderança tecnológica”.

Embora não seja a primeira vez que Alierta dispara contra as vantagens que desfrutam essas empresas que, a seu ver, não investem nem criam empregos, desta vez teceu críticas pessoais aos seus presidentes, como Larry Page e Eric Schmidt, do Google, ou Mark Zuckerberg, que chegou a qualificar de “peculiares”.

Carga tributária

O presidente da Telefónica revelou que, de cada 100 euros que arrecada, a empresa paga 26 em impostos, e pretende manter a política de redução da dívida, que no final do primeiro trimestre era de 42.724 milhões de euros. Com isso, a Telefónica “posicionou-se pelo segundo ano consecutivo como a empresa de telecomunicações europeia que mais reduziu a dívida nesse exercício”, assinala.

Alierta anunciou que na próxima semana fechará o acordo com o grupo PRISA (editor do El País) para a compra de 56% do Canal+ por 725 milhões de euros, o que lhe dará o controle da plataforma de televisão por assinatura ao elevar sua participação para 78%. Também indicou que espera que, nas próximas semanas, a Comissão Europeia se pronuncie sobre a compra da alemã E-Plus.

A assembleia aprovou um dividendo de 0,75 euro por ação para 2014, dos quais 0,35 euro será pago no quarto trimestre deste ano sob a modalidade de script dividend (em ações ou em espécie). Mais 0,40 euro por título será pago durante o segundo trimestre de 2015, neste caso em espécie. Alierta destacou que, com essa retribuição, a rentabilidade da ação é de 6,2% no final de abril, o que situa a Telefónica como a operadora de telecomunicações de maior rentabilidade por dividendo esperado para 2014.

Um plano de 1 bilhão de reais para incentivos aos diretores

A Assembleia Geral de Acionistas da Telefónica aprovou um plano de incentivos até 2019 mediante a entrega de ações a 1.300 diretores e conselheiros executivos da operadora, com um valor máximo de 350 milhões de euros (1,07 bilhão de reais). Os beneficiários receberão ações da empresa a título de retribuição variável e em função do cumprimento dos objetivos estabelecidos para cada um dos três ciclos de três anos.

Se os requisitos forem cumpridos, ao término do primeiro ciclo, que vence em 1º de outubro de 2017, os conselheiros com funções executivas, César Alierta, José María Álvarez-Pallete e Santiago Fernández Valbuena, receberão um máximo de 506.250, 300.000 e 162.000 ações respectivamente. Ao preço de mercado atual, esses pacotes de ações valeriam respectivamente 6,2 milhões, 3,7 milhões e 1,98 milhões de euros (19 milhões, 11,3 milhões e 6 milhões de reais, respectivamente). Nos demais ciclos, o número máximo de ações a entregar aos conselheiros executivos será determinado pelo conselho administrativo da operadora e não poderá exceder 30 milhões de euros no total.

O sistema de retribuições será dividido em três ciclos de três anos cada um. O primeiro começará em 1º de outubro próximo, com entrega de ações em 1º de outubro de 2017; o segundo terá início em 1º de outubro de 2015, com entrega de títulos na mesma data em 2018, enquanto o último começará em 1º de outubro de 2016 e terminará na mesma data em 2019.

A Assembleia também aprovou um plano de compra incentivada de ações para os funcionários do grupo por um máximo de 60 milhões de euros e o pagamento do dividendo do ano de 2014, que chegará a 0,75 euro bruto por título, e poderá ser recebido em ações ou espécie (script dividend). Com uma duração mínima de dois anos e máxima de quatro, o plano permitirá aos destinatários receberem títulos adicionais gratuitamente se cumprirem determinados requisitos.