Cenas de terror em um estádio aumenta o temor com a segurança nas arenas

A CBF fecha estádio de Recife onde um torcedor perdeu a vida após ser atingido por uma privada arremessada pela torcida rival

O corpo do torcedor Paulo Silva, que morreu ao sair do estádio do Arruda.
O corpo do torcedor Paulo Silva, que morreu ao sair do estádio do Arruda. (REUTERS)

O estádio do Arruda não está entre as arenas que receberão as partidas do Copa do Mundo, mas as cenas de terror vividas nesta sexta-feira preocupam pelo trato dado à segurança nos jogos de futebol no Brasil. Paulo Ricardo Gomez da Silva, de 26 anos, morreu na sexta à noite, após ser atingido por uma privada lançada por um grupo de torcedores  rivais que previamente a arrancaram de um dos banheiros do estádio. A tragédia fez a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mandar fechar temporariamente o estádio do Arruda, sede da equipe de futebol Santa Cruz do Recife (Pernambuco). O procurador do Tribunal Superior de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, anunciou por sua vez que apresentará uma denúncia contra o clube.

O fatídico incidente aconteceu depois do final do jogo da série B entre Santa Cruz do Recife e Paraná (1-1), quando os torcedores locais deixavam as instalações escoltadas pela Polícia Militar. Segundo testemunhas citadas pelo jornal O Globo, em um certo momento torcedores do Santa Cruz lançaram dois artefatos explosivos contra a torcida visitante, que respondeu lançando a privada.

O impacto resultou na morte instantânea de Silva e feriu outros colegas, que não correm perigo de vida (de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado). O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, afirmou que “o Estado [de Pernambuco] fez seu papel. Quem tem que zelar pela segurança patrimonial do estádio é o clube que organiza a partida”, segundo declarações feitas à Europa Press.

A Secretaria de Defesa Social publicou um vídeo que capta o momento preciso em que foi lançado o vaso sanitário e o tumulto posterior. A polícia deteve horas depois um membro de uma torcida organizada radical que tinha assistido ao jogo, mas afirmou que não tinha certeza de que fosse o autor do homicídio. De acordo com os dirigentes do clube, haviam 16 câmeras de segurança em funcionamento durante o jogo.

A denúncia do STJD vai se basear na infração dos artigos 211 (obrigação de garantir a segurança do estádio) do Código Brasileiro de Justiça Esportiva e poderia acarretar o fechamento do campo por dez jogos, além de uma multa em dinheiro. A notícia teve uma grande repercussão na imprensa brasileira, entre outras coisas porque acontece a 40 dias do início de uma Copa do Mundo onde as pressões por terminar a construção de alguns estádios e a consequente impossibilidade de realizar todos os testes de segurança (reconhecida pela FIFA) gera dúvidas sobre o suporte durante os partidos. Soma-se a isso o preocupante momento do futebol brasileiro, caracterizado por estádios semivazios, dívidas milionárias dos principais clubes e críticas pelo calendário das diferentes competições, além de episódios recorrentes de violência e racismo.

O atacante titular do Fluminense e da seleção brasileira, Fred, vítima recente de um cerco promovido por vinte integrantes de uma torcida organizada de seu clube à saída de um treinamento, lamentou pelo Twitter “mais um episódio de selvageria em nossos estádios” e acrescentou que “o mais triste é a certeza da impunidade”.

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