O Bayern salva seu orgulho

O time de Pep Guardiola reage sem brilho, com gols do Mandzukic, Müller e Robben, contra um United que marcou primeiro

Robben, no terceiro gol do Bayern
Robben, no terceiro gol do BayernODD ANDERSEN (AFP)

Não houve heroísmo nem exaltação na Allianz Arena. A classificação do Bayern para as semifinais foi comemorada da forma rotineira: o dever cumprido. Sem o brilhantismo que era de se esperar, o time bávaro só reagiu quando foi espetado, tanto na ida como na volta, impondo sua velocidade de cruzeiro e a explosividade de seus centroavantes, Ribéry e Robben, quando mais precisava deles. O Manchester United havia assumido a dianteira rapidamente, um golaço do Évra, mas a equipe inglesa se dissolveu justamente quando se abriu. Com o placar inaugurado, o elenco de Guardiola passou o rolo compressor – mesmo que sem uma faísca de criatividade, castigado pela apatia do seu jogador mais fantasista, Götze, e com o time de Pep vitimado pela responsabilidade de ter sido tão favorito neste mata-mata. Agarrado ao pragmatismo, o campeão continua na briga.

A foto fixa da primeira parte ficou congelada no último lance: todo o Manchester metido em sua área, e o chute de Boateng para a arquibancada, de canhota, após uma sequência de passes tão previsíveis quanto anódinos do Bayern. Aí esteve a graça desse primeiro tempo: a equipe com pressa de jogar era a bávara, apesar da sua vantagem na eliminatória (pelo gol marcado fora de casa, no empate em 1 x 1 no Old Trafford na semana passada). O United, por sua vez, não tinha nada para contar, confiando em que sua oportunidade apareceria cedo ou tarde.

Para cobrir as baixas do meio do campo (Thiago, Schweinsteiger e Javi Martínez), Guardiola optou por juntar os meias disponíveis: Kroos e Müller, com Mario Götze à frente. Entretanto, a posição de meia-atacante, muito específica, não é para qualquer um. Não houve fluidez na distribuição da bola, e Guardiola, faltando 10 minutos para o final da primeira parte, ordenou uma mudança tática: Lahm, que havia começado como lateral direito, foi avançado para o meio, deixando a posição para o zagueiro Boateng. Foi a forma que o catalão encontrou para expressar sua inconformidade.

A segunda parte começou na mesma toada, marcada por um voleio de Mandzukic sobre os genitais de Vidic, o primeiro arremate ameaçador do atacante croata. Não houve notícias de Götze nem de Müller. E o Manchester começou a se espraiar com Kagawa e Valencia. O cruzamento do equatoriano a partir da direita se enroscou, saindo para fora da área bávara. O perigo parecia afastado, mas era uma miragem. Apareceu Évra pela frente e emendou de bate-pronto uma bomba que ganhou velocidade até entrar na forquilha esquerda de Neuer.

Assim como em Old Trafford, o Bayern foi buscar seu orgulho e explorou as laterais, encontrando os espaços perdidos anteriormente. Primeiro foi Ribéry pela esquerda: seu cruzamento foi acrobaticamente cabeceado por Mandzukic, retorcendo-se para mandar uma bola muito arrevesada. Matthias Sammer abraçou um Guardiola desconcertado, que tentava transmitir em alemão o desespero dos momentos anteriores.

A partida tinha entrado em uma nova fase, muito mais imprevisível. E Robben se infiltrou pelo outro lado. Seu cruzamento raso e curto, de perna direita, foi aproveitado por Müller para marcar. Nos dois gols bávaros Évra havia se distraído – logo ele, autor do magnífico gol do Manchester. As rugas marcavam o rosto de David Moyes, que deu lugar a Chicharito quando faltavam 15 minutos para o final: Rooney, Wellbeck e o mexicano no ataque.

Mas, claro, com menos jogadores defensivos no time inglês, sobrou mais ar para o Bayern. Muito para Robben. Em sua típica corrida paralela à linha da grande área, procurando o ângulo para disparar, a sorte o acompanhou ao desviar seu chute na perna de Vidic, fazendo-a entrar rente à trave direita de De Gea. Guardiola, agora sim, esboçou um leve sorriso. Ao campeão, no mínimo, se exigia chegar outra vez às portas da final.

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