O ex-presidente do Valencia FC é acusado de tentativa de sequestro

Juan Soler depôs esta manhã depois de ser preso por uma tentativa de rapto A vítima é o também ex-dirigente da equipe Vicente Soriano, que deve dinheiro a Soler

Juan Soler, saindo dos tribunais de Valência.
Juan Soler, saindo dos tribunais de Valência.MÒNICA TORRES

O ex-presidente do Valencia FC Juan Bautista Soler teve a liberdade condicional concedida depois de ser detido por tentar sequestrar Vicente Soriano, outro ex-dirigente do clube. Soler foi preso na terça-feira pela Polícia Nacional, passou a noite em dependências policiais e esta manhã foi interrogado pelo titular do Julgado de Instrução número 12 de Valência.

O juiz decretou a liberdade condicional de Soler, a quem atribiu uma suposta tentativa de sequestro. Como medidas cautelares, lhe foi imposto o comparecimento periódico no tribunal, a proibição de abandonar o território nacional e uma ordem de se manter afastado a uma distância de 15 metros respeito da vítima, Vicente Soriano, cuja residência é muito próxima.

Junto com Soler foi presa uma segunda pessoa, cuja identidade não foi liberada e que é acusada do mesmo crime. A promotoria não pediu a sua prisão e o juiz decretou segredo do processo.  

O ex-presidente do clube abandonou os tribunais de Valência por volta das 2h da tarde (hora da Espanha), acompanhado de um advogado e de um de seus filhos. Rodeado de câmeras e jornalistas, Soler afastou-se sem fazer nenhuma declaração.

O empreendedor imobiliário Juan Bautista Soler dirigiu o clube entre outubro de 2004 e março de 2008. A partir do Valencia CF, impulsionou a construção do novo estádio e o desenvolvimento de uma nova cidade esportiva, que gerou uma grande dívida, que ficou quando ele saiu da direção do clube.

Em 18 de setembro de 2008, Soler vendeu a Soriano 70.889 ações por 257 milhões de reais que tinha que pagar em quatro parcelas. A intenção de Soriano, que dirigiu o clube de 2008 a 2009, era vender estas ações ao grupo investidor uruguaio Dalport, mas a Generalitat Valenciana manobrou para que o clube não caísse nas mãos de uma entidade de duvidosa reputação.

Depois da demissão de Soriano, Bancaja, principal credora do clube (tinha uma dívida pendente 727 milhões de reais), propôs um conselho de administração com um núcleo duro composto por Manuel Llorente, que regressaria ao clube como presidente.

Llorente realizou uma ampliação de capital de 279 milhões de reais em junho de 2009 que reduziu o valor do pacote que adquiria Soriano, o que provocou a saída de Dalport da operação. Diante dessa situação, Soriano não pagou  Soler. No último dia 11 de fevereiro o Tribunal Supremo ratificou uma condenação pela qual Soriano teria que pagar 118 milhões de reais a Soler por descumprir o contrato.

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